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Professores por acaso ou por necessidade

 Já aqui referi o que tem sido, a meu ver, uma das desgraças do contexto educativo em Portugal: a não escolha da profissão como primeira opção ou, se quisermos, aquilo que se costuma apelidar de vocação. E também sublinhei que o que se está a passar atualmente é um decalque do que foram as escolhas docentes dos idos anos 80: vão para professores quem não arranja trabalho cá fora.

Esta reportagem da CNN Portugal exemplifica, cabal e infelizmente, o meu ponto de vista. As duas personagens da reportagem são pai e filho e ambos são professores por acaso: estavam desempregados e, como não arranjavam emprego em mais lado nenhum, escolheram ser professores. O mais velho mantém-se no ensino e o mais novo também. São, pois, professores por acaso. Eu não tenho nada contra o acaso, mas não posso aceitar que seja esta a regra "perpétua" no preenchimento do quadro docente do Ministério da Educação.

Há uns anos, nas análises comparativas que gostamos de fazer, dizia-se que a profissão de professor na Finlândia era uma das mais difíceis de alcançar. Daí que os professores sejam uma classe bem remunerada nesse país. Ora, eu gostava que, em Portugal, as salas de professores das nossas escolas estivessem repletas de professores de primeira opção e não de professores "desempregados" e, de certo modo, frustrados.

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