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A mostrar mensagens com a etiqueta Portugal

O país que somos

  Já aqui o disse várias vezes: o futebol é a atividade que melhor espelha o país que somos. Esta polémica Cristiano Ronaldo mostra, lamentavelmente, essa verdade. Portugal é isto, de cima a baixo.

O intrigante caso Cristiano Ronaldo

  Anda por aí um burburinho noticioso sobre a polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus . A questão resume-se a uma decisão simples, que qualquer treinador se depara: joga ou não joga? Acontece que não é assim tão simples. Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer, pois não é um mero jogador de futebol. Em Portugal, é uma instituição. Fomos nós, com o nosso atávico sebastianismo provinciano, que criamos Cristiano Ronaldo, ou o CR7 . Cristiano era o melhor jogador do mundo, Cristiano era o orgulho de Portugal, Cristiano simbolizava o patriotismo, Cristiano tem nome de aeroporto , Cristiano era jubilado por presidentes, Cristiano era mencionado por primeiros-ministros, Cristiano era valorizado na Assembleia da República... Cristiano era Portugal. Ou seja: Portugal no seu melhor. Eu, que nunca concordei com isto, percebo Ronaldo. E tenho praticamente a certeza de que Cristiano Ronaldo, que não estará, decerto, entre os dez maiores jogadores da história (mas vinculará en...

Portugal, um exemplo: o que se passa connosco?

 A comunicação ao país de Luís Montenegro , primeiro-ministro de Portugal , à hora de abertura dos telejornais, foi, do ponto de vista político, muito interessante. Luís Montenegro não resistiu em utilizar a palavra mais usada neste tipo de comunicações: exemplo! Portugal é um exemplo na Europa ! Tem havido, ao longo dos tempos, derivações, algumas das quais já presentes na ditadura do Estado Novo. Uma delas, porventura a mais conhecida é a do oásis : Portugal é um oásis! Já fomos também bons alunos: Portugal é um bom aluno na Europa. Assim, interrogo-me: o que se passa connosco? Será que já demos a volta ao circuito, ultrapassámo-los (aos outros países) e não demos conta que vamos à frente? Andaremos por engano na cauda da Europa ?

11 milhões

 Segundo li, vivem em Portugal mais de 11 milhões de pessoas. Não sei quem é que pode não gostar desta notícia. Portugal e, principalmente, as cidades do interior, bem precisam destas e de mais uns milhões de pessoas.

A entrada de Portugal para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU

  Celebrar a (re)entrada para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU como uma vitória do atual executivo é uma hipocrisia. Esta reentrada deve-se, fundamentalmente, ao trabalho contínuo e sem sobressaltos da diplomacia portuguesa . Com efeito, temos, na visibilidade externa, uma apreciação de um país que não levanta "muitas ondas" nas questões mais fraturantes como, por exemplo, as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, um país silencioso, abocanhado por uma obsessão provinciana e pouca digna de responsabilidade institucional relativamente aos "nosso aliados".  Neste contexto, PSD e  PS não diferem. Daí que esta vitória (a forma futebolisticamente vitoriosa como Portugal e a Áustria festejaram, na Assembleia das Nações Unidas, a entrada para o Conselho de Segurança, diz muito sobre os tempos e os lideres que correm) se deva, fundamentalmente, a estes dois partidos. Escusam, pois, Rangel e Montenegro de navegar nestas águas de "mais uma vitór...

O treinador do Benfica, Portugal, portugueses

 Será normal que o assunto treinador do Benfica e José Mourinho, ou josé Mourinho e o futuro treinador do Benfica, ou Benfica à espera de Mourinho, ou até Mourinho à espera do Real Madrid ocupe um esmagador tempo de antena nas nossas televisões? É! Em Portugal, infelizmente, é. Chama-se a isto atraso civilizacional.

O alegado sr. Engenheiro: a sátira do povo para o melhor povo do mundo

  Estreou há dias um musical que pretende satirizar o calvário judicial que josé Sócrates , ex-primeiro-ministro de Portugal, tem passado ao longo de mais de uma década. O calvário não é só de José Sócrates: é também da justiça portuguesa . O melhor povo do mundo, segundo os nossos presidentes da república (o último e o atual) está habituado a comer palha, pelo menos a maioria. E, quando se dá palha e se gosta de palha, come-se, por habituação, palha. E, desgraçadamente, habituamo-nos à palha, não querendo mesmo outra variedade alimentícia. Daí que os filões destes reis da comédia, numa linha que vem da antiga revista à portuguesa (à portuguesa, pois claro), passando pelo farolista La Féria e acabando em espertalhonas equipas criativas que alevantaram o musical " Sr. Engenheiro - alegadamente um musical " (os espertalhões têm nome: Henrique Dias e Rui Melo ) passem, desavergonhadamente, por cima de alguém que está a ser, presentemente, julgado nos tribunais. O protagonista ...

O futebol, o país

Hoje realizou-se um jogo de futebol da primeira liga, em Lisboa, entre o Benfica e o Rio Ave. O Rio Ave é um clube da cidade de Vila do Conde, cuja população vai além dos 80 mil habitantes. São pessoas muito arreigadas e orgulhosas à região e à cidade a que pertencem. Nas bancadas do estádio da luz estavam 50 adeptos do Rio Ave. O jogo ficou empatado. O Benfica, dizem, está a passar uma grande crise, pois já tem dois empates em casa e está a 4 pontos da liderança. Alguém de bom senso acha este cenário normal, condicente com um país civilizado? Alguém me pode dizer qual o país europeu em que isto se passa?

Portugal, portugueses

Há cerca de 20 anos, Santana Lópes levantou-se, em protesto, da cadeira de comentador porque o seu discurso televisivo foi abruptamente interrompido por causa da chegada de José Mourinho ao aeroporto. O canal de televisão (já não me recordo qual foi) entendeu que, assim, se fazia bom jornalismo. Passados estes anos todos, continuamos exatamente na mesma. E esta mentalidade é uma das causas do nosso atraso. Só não vê quem não consegue ver.

Vergonha

Isaac Nader foi campeão mundial na corrida de 1500 metros no campeonato do mundo de atletismo , que decorre em Tóquio . É a primeira vez que Portugal alcança esse feito. Os telejornais abriram todos com a chegada de José Mourinho a Portugal para treinar o Benfica . Por acaso não abriram todos: a RTP iniciou o jornal com essa notícia, acrescentando, de imediato, que seria uma notícia a desenvolver mais tarde, pois José Mourinho no Benfica é notícia primeira. Como queremos ser um país a sério quando se alimenta um povo destes maneira? Tenho defendido que o futebol é o espelho do país: para compreender Portugal e os portugueses nada melhor do que olhar analiticamente para o fenómeno futebolístico português.

Palestina: a voz de Portugal

Quando se fala no valor da palavra, por exemplo, no caso da nossa presidência da república, o mesmo se pode aplicar aos países, alguns países, principalmente aqueles que, no panorama internacional, pouco mais resta do que a força das ideias, que se exterioriza pela força das palavras. Portugal podia ser um pais diferente, com visibilidade internacional. Optamos sempre pelo sentido contrário, como se andássemos permanentemente em contramão: regozijamo-nos pelas conquistas individuais internacionais (Guterres, Costa, Barroso, Ronaldo...), mas pouco pelas coletivas.  A este propósito, qual é a posição de Portugal sobre o reconhecimento do estado da Palestina? É esperar... Pelos outros.

Os velhos em Portugal

Vale a pena ler este artigo de Bernardo Mendonça no Expresso para nós arrepiarmos sobre o modo como os velhotes são tratados nos lares em Portugal. Paradoxalmente, o país carece de um tratamento condigno aos mais idosos e aos recém nascidos.

Estado da Palestina

Aos poucos, os países europeus perdem a vergonha e vão reconhecendo o Estado da Palestina. Está a ser a vez da França. Portugal, que podia e devia ser uma voz pioneira, não tem, desgraçadamente, ímpeto para tão dignificantes voos. Faltam vozes. Que pena.

Bairro do Talude e o país

A discussão acerca da demolição das barracas é humanamente deplorável por parte da autarquia. É revelador da capacidade do Chega em agregar - pasme-se! - até socialistas ou, pelo menos, socialistas que não sabem o que é a matriz do Partido Socialista. No entanto, a discussão mantém-se na espuma dos dias, discussão que interessa, mais uma vez, ao Chega. Qual é, então, o problema de fundo? Chama-se Portugal e a incapacidade do país distribuir, homogeneamente, do ponto de vista geográfico, os imigrantes que têm assomado nas grandes cidades, principalmente na capital. E por que razão estás pessoas não se deslocam para o interior, onde as rendas são substancialmente mais acessíveis? A resposta é simples: não há trabalho sustentável. E por que não existe, no interior do país, trabalho que permita às pessoas terem uma vida economicamente despreocupada? Mais uma resposta simples: não há catalisadores económicos (empresas, serviços) que permitam sustentar uma economia local. E por que é que ess...

Adivinha

  Qual é qual é o país europeu que abre o telejornal com a notícia de um jogador de um clube de futebol que ainda não compareceu aos treinos agendados, abrindo um espaço de cinco minutos para dois convidados comentarem? Suíça? Errado! Alemanha? Errado. França? Errado. Espanha? Errado. Itália? Errado. Inglaterra? Errado. Ah!... Grécia? Errado! ... Portugal?!... Certo! Mas como não acertou à primeira não tem prémio.

Decréscimo ou acréscimo populacional

Leio o título: população cresceu em 2024. Fico contente? Fico descontente? Desconfiado? Haverá, decerto, estados psicológicos diversos para uma notícia destas.  Na minha opinião, o acréscimo populacional num país como Portugal, mesmo que seja através da imigração, só pode configurar uma belíssima notícia, ainda para mais quando algumas populações do interior começam a notar esse efeito do aumento de habitantes nos respetivos concelhos. Defendo há muito: Portugal é um país demasiado assimétrico, em que conseguem, no fundo, coexistir dois países: um litoral povoadisdimo e um interior com uma elevadíssima escassez humana. Este fenómeno só é comparável com países com dimensões continentais como, por exemplo, o Brasil ou a Rússia. Esta assimetria não se verifica, por exemplo, nos Países Baixos, na Bélgica, na República Checa, na Áustria, etc., países muito semelhantes, em área, a Portugal. Daí que seja lógico o desafio retórico: e se Portugal tivesse mais 5 milhões de habita...

A sucessão do papa em português

Nós, portugueses, não conseguimos, desgraçadamente, fugir dos nosso identitário provincianismo. No próprio dia em que o papa Francisco morreu, começaram as apostas e outros desejos sobre a possibilidade de o próximo papa poder vir a ser português. Seria mais uma benção divina para o país dos pastorinhos, como foram as ascensões ao Olimpo do Barroso, do Guterres e, mais recentemente, do Costa. E ainda, claro, do melhor do mundo, o Ronaldo. O nosso maior entertainer esteve, a este respeito, cautelosamente silencioso. Mas ainda só passou um dia. Esperemos.

Portugal - portugalesque

  Há narrativas que teimam em perdurar através dos tempos políticos, principalmente se esses tempos forem de eleições. A narrativa talvez mais desenvolvida parte da premissa do crescimento. Esta é quase sempre trazida ora pelos primeiros-ministros, ora pelos ministros das finanças. O país cresce, então, mais do que os outros; o país é um dos mais seguros do mundo; o país tem uma das mais elevadas taxas de crescimento económico; o país é um oásis; o país tem resultados maravilhosos nos índices internacionais sobre saúde, educação; o país atrai multinacionais; não somos corruptos; não somos racistas; e por aí adiante. Afinal, o que se passa connosco?!

Os futebóis em Portugal

 Tenho uma teoria que penso ser academicamente sustentável. Para entender aprofundadamente o país, nas variáveis sociocultural, mental, territorial... nada melhor do que entender o nosso panorama futebolístico. Este tem, de facto, um verdadeiro sentido interpretativo espelhar. Está lá tudo: o atraso, o provincianismo, as desigualdades geográfica e económica regionais, as iliteracias, a irreflexão, a ausência de uma visão  para o futuro, a crítica desconstrutiva e inócua (um exemplo: criticamos a estrutura da Liga dos Campeões quando fazemos pior na Liga Portuguesa), a cobardia, o respeitinho salazarento, a prepotência (também de outro tempo), a comunicação social, a instrução, o conservadorismo anacrónico, a civilidade. A fotografia que acompanha este post é do vice-presidente do Rio Ave, um clube que joga no principal campeonato português, com orçamentos, presumo, de milhões de euros. O clube, aparentemente, não terá qualquer cláusula, nas suas leis internas, que proíba manif...