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A mostrar mensagens com a etiqueta Luís Montenegro

O discurso caritativo de Montenegro

  Ouvi o primeiro-ministro de Portugal mostrar disponibilidade para, se a economia o permitir, atribuir aos pensionistas (mais) um bónus lá para o mês de outubro, seguindo, mais ou menos, o que fizera antes das eleições legislativas . Quando muito se fala do esbatimento ideológico dos partidos, temos aqui um lapidar exemplo do que não é um discurso de esquerda . Os pensionistas são pessoas velhas que, durante a sua vida ativa, andaram miseravelmente a contar os escudos e, depois, os euros. Na reforma, continuam à espera do fim do mês. Desgraçadamente, o discurso de campanha de Luís Montenegro direciona-se para que os pensionistas esperem, ansiosamente, o mês de outubro, isto se se portarem bem, ou melhor, se o país estiver em condições para dar essa prenda de Natal. Luís Montenegro deveria ter vergonha.

O homem do leme

A metáfora política do homem que está ao leme desta barca, que até nem é uma grande barca, pertence a Cavaco Silva. Não sei se antes de Cavaco já algum político contemporâneo, excetuando talvez Salazar, a tivesse providencialmente exposto. Faz, portanto, mal Luís Montenegro recorrer a este tipo de estratégia comunicacional. É, simplesmente, anacrónico.

As chico-espertices de Montenegro

 Luís Montenegro é Luís Montenegro: uma vez chico-esperto, para sempre chico-esperto. Conhecemo-lo melhor, relativamente a esta sua qualidade (sim, os chico-espertos assumem a chico-espertice como uma elevada qualidade), com o adormecido caso da Spinumviva: pose estadista que não gosta de discutir minudências, filhos e mulher abalados ao ponto de serem quase párias, o trabalhador incansável na linha do "american dream" ou self-made man" e, sobretudo, o pedantismo exposto até ao limite aceitável. Lembrou-se, agora, de mais um truquezito, agora que, verdadeiramente, ninguém anda com atenção a esta coisa da política, pois o sol e a praia falam mais alto. Do que se lembrou, então, o primeiro-ministro? De elogiar Mário Centeno, ao ponto de deixar na atmosfera estival a possibilidade de Mário Centeno suceder, no cargo de governador do Banco de Portugal, a Mário Centeno. Evidentemente que o nosso jornalismo, radicalmente estúpido, andou a propagandear esta ilusão. Claro que Mon...

A escola do Chega

Aos poucos, a linha discursiva do Chega vai-se cimentando nos mais diversos areópagos comunicacionais. De repente, o que era estranho, tornou-se entranhável. Os imigrantes, por exemplo, passaram a ser vistos como imigrantes e os portugueses como portugueses. Luís Montenegro felicitou desta normalizada maneira mais uma conquista do extraordinário atleta Fernando Pimenta: "É esta a raça lusitana, é esta a garra portuguesa. Bravo!". Não estava a falar dos cavalos. Aos poucos, voltaremos ao dia da raça.

Tempo dos derrotados

Não tenho nada contra os (circunstancialmente) derrotados na política. Recordo sempre Miterrand que, antes de conquistar o Eliseu, só à terceira é que venceu as eleições presidenciais francesas. Neste sentido, não deixa de ser curioso que tanto Montenegro como José Luís Carneiro (que anda agora de megafone na mão a gritar que está disponível) não tenham convencido, internamente, os seus "eleitorados". É preciso alterar esta cultura futebolística na política portuguesa. Os partidos têm culpa ao deixarem-se ir a reboque da comunicação social, designadamente dos nossos extraordinários comentadores.

André Ventura

 André Ventura de pijama, André Ventura na cama do hospital, André Ventura de camisa aberta na cama do hotel, André Ventura à saída do hospital com o casaco pendurado num dos ombros (o peso seria muito grande para o ombro esquerdo), André Ventura carregadíssimo de pensos... Enganei-me: pensei que iriamos ver uma versão "inshallah" do 13 de maio, com o líder do Chega a rezar, de joelhos, junto à imagem da nossa senhora de Fátima que alberga a bala que quase vitimou mortalmente o papa João Paulo II. Luís Montenegro e André Ventura: quais são, artisticamente, as diferenças?  

Montenegro, o faroleiro

  Luís Montenegro tem sido profícuo nas suas manifestações de júbilo eleitoral, eventualmente dirigidas pelos seus assessores de comunicação. A última foi a de se autoconsiderar com a responsabilidade de ser o farol que o país precisa. Esta aproximação de Montenegro ao homem do leme cavaquista é mais do que evidente e, sendo evidente, mostra, de certo modo, uma enviesada leitura do país em que vive. É certo que o sebastianismo ainda andará por aqui, meio invisível por entre as brumas da memória. O almirante Gouveia e Melo que o diga. Mas alcandorarmos Luís Montenegro como o nosso faroleiro-mor poderia ter sentido se optássemos pelo significado mais popular: "pessoa que fala muito e sem sentido, que gosta de se vangloriar". Neste contexto, Montenegro terá toda a razão; faroleiro enquanto farol ("nesta campanha podemos dizer que levamos a luz, a lanterna..."), é, simplesmente, uma boa piada.

Montenegro, o peregrino

Ontem vimos mais uma das habilidades de Luís Montenegro. O ainda primeiro-ministro, numa feliz coincidência de campanha, foi dar um beijinho à mulher, ex-sócia da Spinunviva, que andava, pelos lados de Aveiro, em peregrinação a Fátima. Questionado pelos jornalistas, Luís Montenegro afirmou, sério, que era uma questão pessoal da sua mulher.  Luís Montenego  joga em tabuleiros muito rascas. Pode ganhar, com estas habilidades, alguns votinhos, mas perderá, decerto, outros. Ele sabe isso, e os seus consultores de campanha também. As contas estarão feitas, mas a matemática também é falível.

O zig e o zag de Luís Montenegro

Luís Montenegro esteve muito engraçado com a história do zig e do zag, ontem, no debate com todos os líderes partidários. Montenegro quis, com estas habilidades (ele é um autêntico habilidoso) mostrar que a constância não é um atributo com o qual Pedro Nuno Santos se pode, naturalmente, identificar. Pelo contrário, o líder do PSD é um poço de virtudes, de seriedade e, sobretudo, posições marcadas por uma marca de invariabilidade. A campanha eleitoral é isto e nada mais do que isto. Siga quem tiver paciência.

Cavaco e Montenegro; Montenegro e Cavaco

  Cavaco Silva a elogiar as qualidades éticas de Montenegro (tem uma dimensão ética igual ou superior às dos outros líderes partidários, segundo o ex-primeiro-ministro) é muito interessante. Cavaco não apoiaria Montenegro se lhe passasse pela cabeça que não poderia ganhar as eleições. Cavaco quer, através de Montenegro - que é um seu indefectível admirador -  ser, igualmente, um vitorioso, sair da sombra esmagadora da história. Quer ouvir Montenegro retribuir-lhe, publicamente, palavras elogiosas. Cavaco é assim: constrói a sua própria história.

Montenegro na maternidade

O que foi fazer Luís Montenegro à maternidade Alfredo da Costa no meio do apagão? O que estava Montenegro a fazer num barco, no rio Douro, aquando da queda de um helicóptero que originou a morte dos passageiros? É este tipo de político, de primeiro-ministro fotogénico, que o país não precisa.

Montenegro na Madeira

Luís Montenegro foi à Madeira em pré-campanha eleitoral. Teceu os habituais encómios ao presidente do governo regional da Madeira, afirmando que o que conta é a estabilidade. Ora, não era esta a narrativa de Luís Montenegro no passado recente, em que defendia a impossibilidade de uma candidatura de alguém carregado de sombras judiciais. Para Luís Montenegro o importante é, portanto, o voto do povo. É bonito. Fica bem, mas é hipócrita.

Montenegro

Qual a necessidade do primeiro-ministro de Portugal fazer uma proclamação televisiva, em horário nobre, vestido á agente funerário, copiando o presidente da república?  Resposta: Montenegro é um habilidoso.

Vale tudo?

Para Luís Montenegro vale tudo na luta pelo poder. Não me recordo de um primeiro-ministro expor de uma maneira tão indecorosa (habilidosa, pronto...) a família. Desta vez foi com a Júlia Pinheiro, no seu programa de televisão. O primeiro-ministro sublinhou que um dos filhos tem as portas fechadas e outro quer mesmo emigrar. Tudo por causa do pai que têm. Os filhos aprendem muito com os pais. E fazem-no de duas maneiras distintas: pelas virtudes e pelos erros que cometem os progenitores. Os dois filhos de Montenegro seguirão, com certeza, esta máxima.

Spinumviva e a gasolineira

  É tudo normal , tudo transparente, tudo tão óbvio, tão pouco Amadeu Guerra.

O cabeça de lista que não tem condições para ser secretário de estado, segundo o primeiro-ministro

Hernâni Dias é o cabeça de lista por Bragança. Hernâni Dias demitiu-se de secretário de estado por incompatibilidades éticas. O primeiro-ministro aceitou e aplaudiu o pedido de demissão de Hernáni Dias. Hernâni Dias foi escolhido pelo primeiro-ministro para encabeçar a lista de deputados pelo distrito de Bragança. Confusão?!... É mais um episódio de coerência da boa tradição política portuguesa.

Os portugueses podem estar tranquilos

Montenegro deu entrada no hospital por se ter sentido mal. Custa-me dizer isso porque com estas coisas o melhor é respeitar. No entanto, não posso deixar de referir que este pequeno problema de saúde, passageiro, está a ser empolgado. E o primeiro a fazê-lo foi o próprio: "os portugueses podem estar sossegados". Não é assim quer se comunica um problema deste tipo. Não perde a hipótese de uma habilidadezinha.

Montenegro não vai aos debates

Pode Luís Montenegro dizer que sim, que vai aos debates agendados nas televisões, mas a verdade é que não vai. Ir aos debates é ir a todos, como fazem os restantes líderes partidários. Não é mandar alguém de segunda linha, para certos debates escolhidos a dedo, que se assume a discussão democrática em televisão. As chico-espertices continuam.

Luís Montenegro e as agências de comunicação no Goucha

 Eu sei que as agências de comunicação adquiriram, nos últimos anos, uma preponderância inaudita praticamente em todo o espetro político, da direita à esquerda, dos partidos que são arco governativo e os que o não são. Parece que é um sinal dos tempos e os "especialistas" dessa "poda" agradecem. No entanto, por vezes, estes senhores que orientam os ministros na imagem exteriorizada excedem-se nos propósitos. Foi o caso, ontem , do primeiro-ministro no programa chamado "Goucha", do muito capaz Manuel Luís Goucha. Ver Montenegro a esbracejar, a gritar, ofendido na honra passada e futura, a afirmar o quanto a família saiu afetada e que "não sei se já disse isto em público"... ultrapassou o próprio ridículo. Provavelmente, as senhoras telespectadoras, decerto maioritárias no visionamento do programa, gostaram de ver um senhor primeiro-ministro ofendidíssimo na sua honra de homem honrado (ou honradíssimo), mas, convenhamos, Luís Montenegro, neste camp...