O primeiro-ministro falou. Hora dos telejornais. Sério. Cheio de "gravitas". Falou. Pouco disse. Mais um número tático deste fabuloso Montenegro. Montenegro é também, na sua "gravitas", uma verdadeira ausência. Depois, foi a vez de José Luís Carneiro. Não fez mais do que salpicar o problema com a meia dúzia de milhares de casa pertencentes ao IHRU e à rejeição das leis das rendas. Ficamos, assim, descansados. Nova narrativa: vitória estrondosa de António José Seguro: o Presidente "obrigou" Montenegro a dialogar. Tudo isto é demasiado mau para ser verdade.
Nunca percebi a narrativa de que os portugueses não querem crises políticas, mas estabilidade. Não querem eleições . A democracia vive, essencialmente, de eleições, sejam elas ordinárias ou extraordinárias, motivadas, por demissões impostas ou exonerações. Noutros países, bem mais desenvolvidos do que nós (se tivermos em conta a qualidade de vida), as eleições não são assim encaradas. Provavelmente, a culpa deste tipo de consistência e consciência políticas é ainda do Estado Novo , mas penso que está na hora dos nossos operadores políticos serem mais assertivos, senão o resultado é o que se vê.