Estamos habituados a ouvir os dois principais responsáveis políticos do país escudarem-se no miraculoso argumento de o primeiro-ministro sabe o que eu penso. O contrário é também válido. Acontece que esta estratégia tem mais a ver com cobardia política do que dever institucional. Os portugueses devem saber o que pensa o presidente da República sobre, por exemplo, os anedóticos casos que assolam os ministérios da administração interna e da educação, assim como o extraordinário arrombamento do gabinete do Chega . A República (é isso que interessa) merece essa abertura. Estou em crer (já o escrevi) que António José Seguro espelha bem o que não deve ser um Presidente da República: vazio, autoelogioso e autoproclamadamente vigilante, segredista. Luís Montenegro , o primeiro-ministro mais chico-esperto que tivemos até hoje, agradece.
Não deixa de ser interessante verificar, a respeito do problema sobre imigração na União Europeia (ou Europa), que a posição dos partidos à esquerda vá ao encontro, quase radicalmente, do posicionamento do Vaticano, seja com a égide do papa Francisco, seja com a direção do papa Leão XIV. Pelo contrário, as linhas críticas dos partidos quase teológicos (o Chega é um bom exemplo) encontram-se nos antípodas da doutrina social da igreja. Basta contrabalançar as declarações do PCP, a respeito deste tema e das duas guerras mediáticas (Ucrânia e Médio Oriente) com o posicionamento doutrinário destes dois papas, lideres da igreja católica. Se eu estivesse do lado dos Deus, Pátria e Família ficaria muito confuso.