Anda por aí um burburinho noticioso sobre a polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus . A questão resume-se a uma decisão simples, que qualquer treinador se depara: joga ou não joga? Acontece que não é assim tão simples. Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer, pois não é um mero jogador de futebol. Em Portugal, é uma instituição. Fomos nós, com o nosso atávico sebastianismo provinciano, que criamos Cristiano Ronaldo, ou o CR7 . Cristiano era o melhor jogador do mundo, Cristiano era o orgulho de Portugal, Cristiano simbolizava o patriotismo, Cristiano tem nome de aeroporto , Cristiano era jubilado por presidentes, Cristiano era mencionado por primeiros-ministros, Cristiano era valorizado na Assembleia da República... Cristiano era Portugal. Ou seja: Portugal no seu melhor. Eu, que nunca concordei com isto, percebo Ronaldo. E tenho praticamente a certeza de que Cristiano Ronaldo, que não estará, decerto, entre os dez maiores jogadores da história (mas vinculará en...
A recente acusação do M inistério Público relativamente ao caso das gémeas traz à colação um dos nossos grandes defeitos, que é a inversão do ónus da prova . Independentemente das opiniões pessoais, devemos ter sempre em consideração que ninguém é culpado por ter sido alvo de uma acusação por parte do Ministério Público: até prova em contrário, somos todos inocentes. É evidente que quem pastoreia as televisões sabe isso, mas não resiste ao achismo e à inversão deste pressuposto incontornável da justiça. A opinião desta gente tem de ficar vincada(mas não vinculada). Ainda ontem ouvi isto na televisão, a respeito de um ataque russo à Ucrânia: " ataque miserável da Rússia ". Qual a razão deste imbecil deixar a sua marca opinativa? Miserável porquê? Os ataques da Ucrânia não são miseráveis? O que é que se ensina nas escolas de jornalismo ?