Têm-nos vendido a ideia de que Putin e a Rússia são o diabo e os outros - nós e a adotada Ucrânia - são os paladinos da verdade e da justiça. Os maus querem pôr-nos à prova; os bons defendem-se do ataques híbridos daqueles. Podemos, claro, olhar desta maneira para a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Se não tivermos capacidade de analisar criticamente os acontecimentos pretéritos e presentes, agarramo-nos devotamente á narrativa que os nossos lideres europeus propagandeiam. E é este viver acriticamente que não nos permite, por exemplo, analisar as ações da Ucrânia relativamente à chamada e acusatória guerra híbrida. Alguns exemplos: Nord Stream, atentados à bomba (carros, cafés...), desinformação, interferência externa...
Tem-se falado, com propriedade, do perigo de uma escalada da guerra na Ucrânia. A bem da verdade, essa escalada já começou há muito, com a entrada dos países NATO na contenda bélica. De facto, a Rússia está em guerra com um bloco de países, uns mais ativos, outros menos. Contudo, a recente declaração de Zelensky avisando as companhias aéreas que operam no território da Federação Russa de que o não devem fazer, visto que o espaço aéreo daquele país não será mais seguro, configura uma escalada nunca antes vista. Será que ainda vamos ver um avião civil abatido para depois entrarmos numa rodopio de culpas alheias? As guerras - as alargadas e imensamente destrutivas - são assim que começam.