As televisões noticiosas portuguesas são o que são. Habituaram-se e habituaram-nos a uma lógica comercial baseada no comentário num fluxo constante durante 24 horas, apenas com interrupções para almoçar, jantar e pouco mais. Hoje, um tipo suicida de 31 anos entrou a correr, com armas e facas escondidas, no salão onde decorria o tradicional jantar dos correspondentes da Casa Branca . Foi prontamente parado nos seus intentos, apesar de terem sido disparados pouco tiros. Ora, estas televisões portuguesas trataram logo, no seu grau zero noticioso, de chamar os especialistas do costume, que estão, desde manhã cedo, a fazer o que sabem melhor: comentar. Ainda não os ouvi, mas aposto que andam a perorar entre o impacto que tudo isto terá na guerra com o Irão , em Israel , na política interna americana (falarão, sem se rirem, nas eleições de novembro ) e do que se lembrarem. E do que não se vão esquecer é questionar a Inteligência Artificial . A Inteligência Artificial é o pote de ouro ...
Lugar de ladrão é na prisão, berravam os apoiantes do Chega , aquando da passagem da comitiva de Lula da Silva às portas do Palácio de Belém . Claro que lugar de ladrão é na prisão. Acontece que, em democracia, quem mete na prisão os ladrões são os tribunais e não os partidos políticos. Se Lula da Silva não está na prisão é porque não é ladrão. Então em que ficamos? Ah! É o sistema de justiça brasileiro que não funciona, tal como o português (se funcionasse, outro ladrão, segundo o Chega, ex-primeiro ministro de Portugal , também estaria na prisão). Como resolver? No caso do Brasil, é votar em bloco no bolsonarismo , que tão grandes frutos deu o seu consulado; no nosso caso, é votar magnanimamente na extrema-direita . Tão simples. O que estamos à espera para salvar este torrão luso da corrupção e da bandidagem? Sempre teremos Trump a apoiar-nos.