Entramos já no período em que o país para, literalmente. Deixa de haver mundo, ou melhor, este reduz-se à seleção portuguesa de futebol e tudo o que gravita em seu redor. Como não podia deixar de ser, o nosso Presidente da República, entusiasmado e legitimado pelo voto popular em eleições, fazendo proveitoso uso das suas altas competências e fragilidades, lá realçou o orgulho que sentimos por tal demanda, pois o sonho torna-se realidade e que os "portugueses merecem", acabando com um "vamos com tudo, muito obrigado". Depois, o nosso maior orgulho patriótico, capitão da seleção portuguesa de futebol, lá lhe ofereceu uma camisola autografada por todos os jogadores da seleção nacional com o nome Seguro nas costas. Tenho a ligeira impressão que a coisa se vai repetir, mas desta vez o nome nas costas da camisola será Montenegro.
Estou cada vez mais convencido de que a política e os homens políticos de hoje caracterizam-se mais pela mesquinhez, pela humanidade rasteira, pelas decisões potencial e pessoalmente vantajosas do que por aquilo que a verdadeira política representa. Os homens políticos de outrora nada têm a ver com esta gente que governa a Europa. Dito de outro modo, os seus defeitos e limitações eram inexoravelmente diferentes. E o que é pior, no meio disto tudo, é que são precisamente estas idiossincrasias que atraem os jovens para a política. Seguro, Passos Coelho, António Costa, Montenegro, entre outros foram os primeiros destes jovens. Portugal, neste contexto, é só mais um.