A pergunta é legítima, como legitimas são outras em sentido diferente. O assunto é a guerra que se trava na Ucrânia . Inquieta-me a facilidade pueril com que se mete achas para a fogueira. Ora é o drone russo que não explodiu no aeroporto de Leipzig , ora é o ataque ao comboio junto à fronteira polaca , que permitiu a Boris Johnson aparecer nos media internacionais, ora são os drones russos que andam por aí a voar, etc. Em tudo isto, há um denominador comum: a Rússia quer testar a NATO . Ninguém se questiona: quer testar a NATO para quê? Custa-me a crer que a narrativa de que Putin , montado no seu cavalo branco, tem um objetivo imperialista que tem a Europa como foco ainda venda. Pelos vistos, vende, e bem, se tivermos em linha de conta os nossos esforçados comentadores, os quais, quando se trata de comentar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia , têm sempre o cuidado de tomar uma claríssima posição a favor da Ucrânia.
Se há coisa que Zelensky trouxe primorosamente à diplomacia europeia é o abraço. Com o presidente ucraniano, todos são grandes amigos. Entre sorrisos alargados e continuados, beijos simpáticos, pujantes apertos de mão, o abraço cumpre inexoravelmente o objetivo de selar o encontro. De repente,os países deixaram de ser paises para se tornarem no sr. Macron, no Sr. Costa, no Sr. inglês que já deixou de ser abraçado. Na diplomacia do antigamente, que ainda se mantém noutras paragens mais adultas, os países encontravam-se e cumprimentavam-se institucionalmente. Longe dos holofotes televisivos, poderiam até celebrar efusivamente. Mas agora, com esta gente, o que interessa é mostrar, antes e depois, o abraço, o laço indestrutível da novel diplomacia.