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Pedro Sánchez

Ouvir um primeiro-ministro europeu falar sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irão como tem feito Pedro Sánchez deveria configurar um motivo de orgulho para qualquer cidadão europeu. Infelizmente, não é isso que se passa. Nos dias que correm, sou forçado a admitir que a Ibéria é também o meu país.

Sánchez e a defesa da democracia

Pedro Sánchez, presidente do conselho de ministros espanhol, apelou, no Chile, na cimeira  Democracia Sempre , uma coordenação mais efetiva dos governos progressistas perante aquilo que ele considera o perigo reacionário ligado a um discurso de ódio, divisionista, da mentira. Podia também acrescentar o adjetivo belicista, que se enquadrava muito bem na sua linha discursiva. Não o fez. Mas devia tê-lo feito. Daria jeito a uma União Europeia mais vozes "progressistas", até para não confundirmos este progressismo evocado por Sánchez com o progressismo alinhavado e rasurados de Vítor Orbán ou Robert Fico.

Pedro Sánchez

Pedro Sánchez tem-se revelado uma voz incomoda para a Europa, devido ao seu incómodo desalinhamento. Daí que, nas hostes da Comissão Europeia, já devem estar a esfregar as mãos de contentamento, pois, nesta nova matriz humanista da União Europeia, não há lugar para desalinhados. E como Sánchez não é, felizmente (emprego aqui o advérbio com desilusão), António Costa, há que o arrumar para canto e assim quase todos cantam a uma só voz, como convém, presumo, a uma comissão democraticamente saudável, segundo os hodiernos pontos de vista.

A solidariedade da União Europeia

Pedro Sánchez foi claro: Espanha é um país soberano e a política comercial é acordada em Bruxelas:"Estamos numa união aduaneira de mercado único e a política comercial é negociada por Bruxelas em nome de todos os Estados-Membros". As palavras do primeiro-ministro espanhol são tão óbvias e racionais que nem deveriam ser estranhas, como, infelizmente, o são. É é precisamente por destoarem do resto das vozes europeias que não vemos qualquer país a tomar um posicionamento que vá ao encontro das palavras de Pedro Sánchez. Na democrática União Europa, que sai do trilho é facilmente apartado para um lugar distante e dissonante.