A diplomacia trabalha muito longe dos holofotes. Um bom trabalho no âmbito diplomático é aquele em que as partes não se fazem ouvir, trabalhando longe dos holofotes. Olho, por exemplo, para o conflito que opõe a Rússia à Ucrânia e o que vejo é confrangedor. Parece uma antevisão de um qualquer jogo de futebol, em que os treinadores, nas conferências de imprensa que antecedem o jogo, tentam, através de discursos mais ou menos acutilantes, desestabilizar o adversário. As televisões adoram; os comentadores interpretam abundante e criativamente. Todo este panorama emerge de um denominador comum: a falta de qualidade dos líderes. Para mim, é uma evidência. O importante é, muitas vezes, esganiçarem-se. Não sei se saberão que existe sempre o risco de uma afonia.