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A mostrar mensagens com a etiqueta jornalismo

As alegadas "montenegrices" e as alegadas "socratices"

  Não sei se será uma impressão incorreta da minha parte, mas penso que se dá uma importância desmesurada a qualquer assobiadela que é assoprada na comunicação social a respeito de José Sócrates e muito pouco a respeito de Luís Montenegro . Há poucos dias, surgiu uma nota publicada, na qual se afirmava que o primeiro-ministro estava a ser alvo de novas investigações por parte do Ministério Público . Questiono-me: estas paragonas jornalísticas deixaram de ser notícia? Ou será que estamos judicialmente mais evoluídos? Eu opto pela primeira hipótese.

Balsemão e os encómios

  Os elogios "post mortem" a Francisco Pinto Balsemão foram, indubitavelmente, justos e, aparentemente, sinceros. Houve, todavia, um elogio que, estou em crer, Pinto Balsemão não gostaria que fosse tão insistentemente elaborado, que é o de que ele nunca se interpunha no trabalho do jornalista. Ora, a questão deve colocar-se: por que razão deveria o "patrão" imiscuir-se, com olhos de censor, no trabalho do jornalista?. Será que o "novo normal" em que vivemos já ultrapassou (espezinhou) esta linha vermelha? Nota: a imagem reproduzida é da autoria do pintor e escultor Botelho (fonte: Wikipédia).

A "silly season": Chega, Marcelo, jornalismo

  É difícil, nos dias que correm, distinguir "sillies seasons". De facto, o jornalismo português (e não só) anda pelas ruas da amargura, acompanhando, de certo nodo, o nível dos políticos (isto anda tudo ligado, diria alguém da nossa praça). A última tolice dos comentadores (os que são jornalistas e os que o não são - anda tudo ligado...) diz respeito a uma conversa distendida de Marcelo na universidade de verão da Juventude Social Democrática , que tem servido de germe ensaístico dos futuros Costas , Montenegros , Passos e Tozé Seguros . O que, então, disse Marcelo? Na tribuna académica da juventude partidária, atrás de um microfone, afirmou que Trump se comporta como um aliado da União Soviética, da Rússia, emendou. O que foi Marcelo dizer! Todos sabemos que o presidente dos Estados Unidos, sempre a par do que Marcelo diz e não diz, não deixará sem resposta o nosso presidente, colocando eventualmente em causa a aliança geoestratégica de Portugal com os Estados Unidos da ...

A violência doméstica e as televisões

 A violência doméstica é um flagelo nacional, segundo os números apresentados pelas entidades competentes. No entanto, é também uma apetência para os diversos canais de televisão, os quais exploram até à exaustão, com flagrantes imagens, os casos noticiosos e que deixam, naturalmente, de ser notícia. Tudo em nome, presumo, de uma certa pedagogia de almanaque que os canais televisivos se empenham em mastigar, seja em programas da manhã, seja nos noticiários de maior audiência. Estas televisões deixam, de repente, de se importar com aquele filho de 9 anos que é constantemente exposto às imagens na televisão do pai a bater na mãe e ele, no meio, a separá-los. Sempre poderá dizer, lá na escola, que apareceu na televisão.

Adivinha

  Qual é qual é o país europeu que abre o telejornal com a notícia de um jogador de um clube de futebol que ainda não compareceu aos treinos agendados, abrindo um espaço de cinco minutos para dois convidados comentarem? Suíça? Errado! Alemanha? Errado. França? Errado. Espanha? Errado. Itália? Errado. Inglaterra? Errado. Ah!... Grécia? Errado! ... Portugal?!... Certo! Mas como não acertou à primeira não tem prémio.

CNN-Portugal

Neste momento, três personagens debatem, na CNN-Portugal, a guerra na Ucrânia. A expressão mais ouvida é: concordo com o que foi dito, mais coisa menos coisa. Chama-se a isto pluralismo e bom jornalismo, não é?

A Rússia e os ataques a alvos civis

 Quando se fala que a Rússia ataca indiscriminadamente alvos civis na Ucrânia - narrativa populista a que facilmente se adere - por que razão não se questiona o que é realmente atacar alvos civis, com o exemplo que o estado de Israel nos oferece em Gaza? Por que razão dois ou três mortos civis ucranianos valem mais do que centenas de mortos palestinos? Para além disso, quando se ataca indiscriminadamente alvos civis, o número de mortos e feridos costuma ser substancialmente elevado, como, aliás, se confirma em Gaza. O populismo tem vindo a grassar nas televisões, não só por parte dos comentadores, como também por parte dos jornalistas, muitos deles com pretensões comentaristas.

Contraditório na CNN-Portugal

Vi anteontem um jornalista da CNN-Portugal a contraditar o seu convidado, o major-general Agostinho Costa,, para analisar a guerra na Ucrânia, nestes termos: "mas é preciso haver contraditório". Esta expressão lógica, por estar, precisamente, carregada de uma inquestionável logicidade, poderia ser usada num qualquer programa humorístico, numa, por exemplo, inversão de sentido. Chama-se a isto ironia  Mas não era disso que se tratava: o jornalista estava a falar a sério: queria o contraditório e, por isso, começou a contraditar. Depois de contraditar, numa espécie de rotação pivotal, voltou a sentar-se na sua cadeirinha de pivot e recomeçou a leitura do teleponto, em que se seguiu a interessante notícia de um incêndio em Cabanas de Baixo. Adenda: posteriormente à publicação deste post, vi isto . Vale a pena espreitar.

O que fazer com José Sócrates?

Os comentadores (e jornalistas) de serviço das televisões, especialistas em tudo, andam à cata de qualquer coisa que sirva para pregar José Sócrates à cruz. Acontece que Sócrates continua com a mesma postura combativa, desde o primeiro dia, aquele curioso dia em que foi preso, quando chegava ao aeroporto de Lisboa, vindo de Paris. Preso durante quase um ano para que o Ministério Público pudesse investigar à vontade. Por isso, na já arreigada incapacidade e desvergonha das televisões, o foco jornalístico tem de se situar na esfera comportamental do antigo primeiro-ministro. O que sabemos, então? Sócrates não respeita o tribunal, nem a juíza; Sócrates é arrogante; nunca vi ninguém com a postura de Sócrates em tribunal, nem mesmo os mais indecorosos criminosos; os microfones não aguentaram o volume da voz de Sócrates; há limites para o mau comportamento... E é assim que se faz jornalismo em Portugal.

"Nouvelle" jornalismo e o tiro ao couraçado do Almirante Gouveia e Melo

Gouveia e Melo é o alvo do novo jornalismo que campeia por estas nossas latitudes. Mafalda Anjos, uma das representantes mais válida desta tendência, elaborou a sua análise desta maneira: "Fui ao Chatgpt, pedi para fazer um discurso para um candidato a Presidente e não foi muito diferente do de Gouveia e Melo". Penso que a inteligência natural de Mafalda Anjos quis analisar concludentemente as banalidades discursivas do agora candidato a Presidente da República. Poderá ter razão (qual o discurso de apresentação de uma candidatura que não seja uma banalidade?). Se eu fosse o Gouveia e Melo, contratava Mafalda Anjos para o assessorar no seu futuro gabinete de comunicação, com a responsabilidade, obviamente, da elaboração dos discursos a haver. Tenho uma quase certeza: Mafalda Anjos aceitava, deleitada, o lugar. Dez aninhos em Belém dariam muito jeito.

Outra vez e outra vez!...

  Um episódio idêntico a este , agora na CNN Portugal , voltou a normalizar o disparate no jornalismo, em Portugal. Francisco David Ferreira, um jornalista da casa, abriu, deste modo, a contenda (o correto deveria ser entrevista, mas os jornalistas estão mais preocupados em deixar a sua pegada "ecológica" do que a sua pegada de imparcialidade, que deve reger, naturalmente, uma entrevista): "Sabemos que [o Chega] recorre, e até Pedro Frazão já o fez várias vezes, a informações falsas para fazer alguma propaganda. Isso vai mudar, Pedro?" Claro que Pedro Frazão ficou indignado, como indignado ficaria qualquer entrevistado que, perante a clareza arrogante do jornalista (repito a ideia: os jornalistas estão mais preocupados em mostrar que não votaram Chega do que fazer, deontologicamente, o seu trabalho), esperava, naturalmente, expor, sem armas apontadas à cabeça, o seu ponto de vista. Jornalismo não é isto. Um entrevistador não deve sobrepor-se ao entrevistado. O que m...

Vai uma revisão?

 A classe jornalista tem agora um novo tema com que se entreter e nos massacrar e, pelos vistos, não vai, facilmente, "largar o osso". É a revisão constitucional. No que deveria ser um lugar colateral na política portuguesa, passa, agora, a uma obrigatoriedade de discussão entre os partidos de direita.

Jornalismo

 Já aqui referi que o nosso jornalismo anda pelas ruas da amargura. Nunca vi, na verdade, um nível tão baixo dos profissionais da comunicação social. Até posso admitir que a culpa nem seja primeiramente deles, mas antes das obrigações decorrentes dos monopólios empresariais que lhes dão sustento. Também já lembrei várias vezes que, neste propósito, André Ventura é o político mais mal tratado pela comunicação social portuguesa. Daí que retirar frases do contexto em que são proferidas seja uma espécie de caça ao tesouro por parte destes profissionais. Posso até entender que esta atividade renda bons proveitos em programas humorísticos, mas o mesmo não pode acontecer numa informação que se quer isenta e séria. Assim, a frase "Não podem querer que durma ao lado dum cigano", dita por alguém do partido Chega e transmitida, despreocupada e descontextualizadamente, pelos diversos órgãos de comunicação social é, socialmente, perigosa, mas é, sobretudo, muito mau jornalismo.

Jornalismo

Há dias, um jornalista da SIC, na fase de comentário às eleições legislativas, com uma "gravitas"ensaiada, decerto, no espelho do camarim, afirmou o seguinte, a respeito da incapacidade do PS de juntar os seus ex-lideres (vivos), à semelhança do que foi feito pelo PSD nas comemoração do seu aniversário: Guterres está preso na ONU, Costa está preso em Bruxelas e Sócrates está a ver se não vai preso. Engraçado, não é? Assim vai o nosso jornalismo. O comentário futebolístico fez, penetrantemente, escola.

CNN Portugal: entrevista ao Ventura

Não gosto como tratam o André Ventura. Na verdade, a Anabela Neves, o Rui Calafate e o pivot são sobranceiros relativamente ao lider do Chega. Querem evidenciar a sua distância, exteriorizar que não têm nada a ver com o entrevistado, mostrar mesmo que não gostam dele. Tratam o Ventura como o jornalista da RTP José Rodrigues dos Santos tratou o Paulo Raimundo. Uma entrevista não é isto, por muito que esta gente tenha a pretensão de inovar. No final da entrevista, sei mais sobre as opções políticas da Anabela Neves e do Rui Calafate do que das propostas do partido Chega.

Entrevista ao Paulo Raimundo

A entrevista ao líder do PCP feita pelo jornalista que pisca o olho quando se despede dos telespetadores, de seu nome José Rodrigues dos Santos, é mais um sinal do descalabro que o nosso jornalismo atingiu. O entrevistador não se preocupou sequer com a matéria primeira das eleições, que é (costuma ser, pelo menos) a vida dos portugueses, em concreto e em abstrato. Preferiu bombardear Paulo Raimundo com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.  A entidade que tem como iniciais ERC não existe e quem está lá não tem, simplesmente, vergonha alguma. Eu sinto, mas é alheia. E não costumo votar PCP, como alguns comentadores tentam iludir quando se referem a este lamentável episódio: simpatizantes do PCP indignados.

Jornalismo: grau zero

Será muito difícil aos jornalistas da nossa praça manterem uma postura profissional isenta, imparcial? Eu compreendo que, por vezes, os jornalistas, na condução de entrevistas têm, por vezes, de acautelar a tentativa do entrevistado ou dos convidados de nos fazer passar por parvos. No entanto, ultrapassam, demasiadas vezes, o que a deontologia profissional obriga, e que passa por uma postura, na condução do programa/entrevista, imparcial.  Dois exemplos: Sócrates, para estes jornalistas, não tem razão no que defende e quer, simplesmente, não ir a julgamento. Por isso, deve ser alvo de chacota pública, que eles próprios impulsionam. No mesmo sentido, os argumentos apresentados pela Federação Russa não merecem sequer ser motivo de análise e ai de quem, nas televisões, tenta fazê-lo: é, muitas vezes, ridicularizado. Pelo contrário, a outra parte da contenda, os que sempre tiveram uma postura pró -ucraniana, não merecem qualquer oscilação argumentativa. Falta, sem qualquer ...

Jornalismo, comentário, televisões e afins

Visiono, na CNN portuguesa, três pessoas a falar. Foram precedidas da apresentação feita pelo jornalista "vamos agora ao comentário". No canto superior direito do ecrã, projeta-se o próximo convidado comentador. O que têm estas 4 (5, se contarmos com o jornalista) pessoas em comum? Tudo. Falam sobre a Ucrânia, a Rússia, a União Europeia, Trump e sobre os EUA. Abordam também de raspão a China. Dizem todos o mesmo. Tentam lobrigar, invariavelmente, alguma originalidade, o que os torna ainda mais caricatos. Chegamos ao grau zero do jornalismo. Disso não há qualquer dúvida.