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Os comedidos

  Sem dúvida que a esfera do comentariado português anda mais comedida relativamente às opiniões que se afastam de uma crítica acérrima (acéfala?) ao Irão . De facto, ao contrário do que se passou e passa (cada vez menos, é certo) na guerra entre a Ucrânia e a Rússia , ainda não vi ninguém ser acusado de defensor do regime do Irão. Nem mesmo Agostinho Costa ou Carlos Branco , por exemplo, são alvos dos aiatolás do costume. Todavia, noto que, aos poucos, o ônus se está a alterar: o Irão assoma-se cada vez mais como o principal culpado desta pestilenta guerra. Última nota, um tanto sádica: talvez não seja má ideia os líderes dos países matarem-se uns aos outros. Israel tem matado uns poucos, o Irão já jurou a morte de Netanyahu . A minha  sugestão é que estas ameaças se alarguem às respetivas famílias até, por exemplo, ao 3º grau. Provavelmente, não teríamos tantas guerras. Ou nenhuma.

As guerras

 É singelamente curioso que, na multidão de especialistas sobre as cousas das guerras que norteiam a Rússia e a Ucrânia , Israel , Estados Unidos e o Irão não haja quem repita até à exaustão que estamos perante um estado agressor e um estado que foi agredido . Reformulo: este argumento é repetido relativamente à Rússia; é dispensado no que aos Estados Unidos diz respeito.

Danos colaterais

 A minha curiosidade é retórica, mas... enfim... arrisco. Estou curioso em verificar a reação da Europa aos bombardeamentos a alvos civis que as bombas americanas estão a causar no Irão . A mim parece-me que a Rússia , em comparação com os americanos e, obviamente, israelitas, é muito mais cuidadosa nos mísseis que dispara. Os danos colaterais são inevitáveis, como é óbvio. É uma das razões - porventura a mais importante - de as guerras serem cruéis. Que culpa tem o cidadão comum da estupidez dos seus governantes?

As guerras

Gostaria de saber a opinião dos "convém não esquecer que há um agredido e um agressor" relativamente ao ataque dos Estados Unidos da América ao Irão. Pela amostra europeia, este ataque é mais do que válido, à luz de um direito internacional feito à medida.

Nós e os outros

O conflito bélico que opõe Israel e o Irão tem-se revelado mais do que uma guerra entre dois países. Voltamos a uma espécie de cruzadas do século XXI, em que nós, deste lado do planeta, olhamos para o outro lado sobranceiramente. Os outros não são como nós: tratam as mulheres diferentemente, veem um deus que não conhecemos, vestem-se estranhamente e, por tudo isto, estão a um nível civilizacional duvidoso. Tudo isto poderá ser (a nossa) verdade, mas, perante esta alegada verdade, o ocidente não pode tornar a cair na desgraça do Iraque, em que, em nome destas variáveis e de uma grande mentira, alterou-se o "modus vivendi" de milhões de seres humanos, já para não falar das centenas de milhares de mortos. 

Paradoxos

Tenho defendido que as superpotências alinham, de uma maneira geral, por uma cartilha muito idêntica. Chamam-lhe doutrina. Uma das criticas que se faz à Rússia, a respeito da invasão da Ucrânia, tem a ver com a irrazoabilidade da sua ação agressiva. Ou seja: a Ucrânia teria todo o direito de entrar para a Nato, de colocar no seu território o armamento que quisesse, pois a soberania é, irrefletidamente, sagrada. Há uma que questão que se deve colocar, tendo em conta este pressuposto: o que faria qualquer presidente dos Estados Unidos da América (Clinton, Bush, Obama, Trump) se a China ou a Rússia convencessem o México ou a Venezuela a deixarem-nos implantar uma base militar nos seus países? Eu sei qual seria a resposta: igual ou pior à que foi a da Rússia. No entanto, não é preciso ir tão longe: os EUA (e, já agora, a triste União Europeia) são claros em relação ao Irão: não podem ter armas nucleares, mesmo que um dos seus crónicos inimigos as tenham em abundância. São paradoxos e estes...

As fotografias das guerras dão sempre bons prémios

Já é a segunda vez (consecutiva) que uma fotografia da guerra em Gaza ganha o prémio de fotografia do ano do "World Press Photo". Confesso a minha incredulidade: é fácil ganhar prémios fotográficos mostrando crianças sem braços e mães a apoiar um filho morto nos braços. Os horrores da guerra não deveriam servir para ganhar prémios. Não se pode apoiar militarmente uma guerra (ou estarmos silenciosamente acomodados) para depois aplaudirmos, num nisto de indignação e admiração lamentavelmente estética, a performance artística do fotógrafo. O horror das guerras é, fundamentalmente, um e chama-se danos colaterais. Assim, no plural.