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Professores por acaso ou por necessidade

 Já aqui referi o que tem sido, a meu ver, uma das desgraças do contexto educativo em Portugal: a não escolha da profissão como primeira opção ou, se quisermos, aquilo que se costuma apelidar de vocação. E também sublinhei que o que se está a passar atualmente é um decalque do que foram as escolhas docentes dos idos anos 80: vão para professores quem não arranja trabalho cá fora. Esta reportagem da CNN Portugal exemplifica, cabal e infelizmente, o meu ponto de vista. As duas personagens da reportagem são pai e filho e ambos são professores por acaso: estavam desempregados e, como não arranjavam emprego em mais lado nenhum, escolheram ser professores. O mais velho mantém-se no ensino e o mais novo também. São, pois, professores por acaso. Eu não tenho nada contra o acaso, mas não posso aceitar que seja esta a regra "perpétua" no preenchimento do quadro docente do Ministério da Educação. Há uns anos, nas análises comparativas que gostamos de fazer, dizia-se que a profissão de...

Educação

Ao longo de décadas, a educação tem sido alvo de variadíssimas reformas e contrarreformas. No entanto, o pior dos males neste setor foi o não ter havido, por parte dos diversos governantes, uma visão política estrutural.  O exemplo que aqui quero deixar diz respeito à colocação de professores. Neste momento, a torneira parece estar aberta para a entrada de professores no quadro. Eu pensava que esse tempo jamais voltaria e o que estamos a ver, novamente, é a entrada nos quadros do Ministério da Educação pessoas sem qualquer apetėncia pedagógica, isto é, indivíduos que são aceites pela tutela simplesmente para encher as  vagas que faltam. Já passamos por isso e seria bom que a história não se repetisse, mesmo que seja com contornos ligeiramente diferentes.