A guerra entre a Rússia e a Ucrânia é seguida, nas nossas televisões, com curiosidade mórbida. Aplaudem-se os ataques ucranianos, elaborando-se, de imediato, teses mirabolantes sobre a capacidade tecnológica e militar da Ucrânia. Nunca, quase nunca se reflete na resposta da Rússia a esses ataques. E ela vem, inevitavelmente, pausadamente, destrutivamente. Volta-se, depois, ao mesmo: a Rússia não quer a paz, Trump perde a paciência, Friedrich Merz, Macron e Starmer, com o apêndice Zelensky, reúnem-se, de novo. E, de novo, se ergue a voz da Europa, a voz da razão, da paz, da hipocrisia.
No decurso do após a Segunda Guerra Mundial, o papel da Europa no mundo, enquanto bloco em construção, sempre foi pautado pela aposta no diálogo e na diplomacia. A União Europeia é, neste pressuposto, o exemplo acabado dessa aposta: um espaço de diálogo entre as nações, uma espécie de nações unidas europeia, alargando o seu campo de ação para a união e o desenvolvimento económicos. A mensagem belicista estava, geralmente, a cargo de outros, bem mais capazes neste campo. Este panorama foi possível durar porque existiam pessoas com verdadeiras competências de liderança política, onde o primado estava sempre na dignidade do ser humano, em que a guerra, enquanto aposta na resolução de conflitos, só seria equacionada quando se esgotassem, radicalmente, todas as hipóteses diplomáticas. Não é isso que acontece nos nossos dias. De repente, acordamos e vemos a Europa e a União Europeia a cortarem os canais diplomáticos com a Rússia, país com o qual teremos de estar sempre ligados, po...
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