Avançar para o conteúdo principal

O futebol português e a indignação de André Villas-Boas

 

Não ligo muito ao que se passa no futebol português. E a razão é simples: somos um país "sui generis" na abordagem deste desporto e, por consequência, no desporto em geral. Há, em Portugal, uma vivência do futebol que se pode considerar patológica. Não é normal, por exemplo, 3 clubes amplificarem até 90, 95% dos adeptos e também, eventualmente, das receitas audiovisuais. Isto para não falar na falta de democraticidade da comunicação social face à irrelevância que projetam os clubes, com a exceção dos três grandes.

Tudo isto vem a propósito do que ouvi de André Villas-Boas, presidente do Futebol Clube do Porto. Diz então Villas-Boas, entre outras coisas (presumo) que o futebol português não pode continuar a ter jogos com 500 ou 600 pessoas nos estádios a assistir, ou clubes que joguem os seus jogos caseiros a 100 quilómetros da sua sede.

Villas-Boas lá saberá, e tem o meu apoio numa eventual luta por uma mudança de paradigma, a qual só poderia acontecer "à bruta", isto é, por decreto.

É mais mais fácil, em Portugal acontecerem terremotos políticos ou até mesmo revoluções do que alterar o futebol português.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Major-General Saramago

 Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.

Os nobéis da paz

  Maria Corina Machado foi a escolhida, pelo comité de sábios correspondente, para o prémio Nobel da Paz. Não se consegue entender o prémio. por muitas explicações e simpatias pela personalidade, Corina Machado é uma adversária política do presidente da Venezuela, como já o foram outros antes dela. Ganhar o prémio Nobel da Paz exclusivamente por essa razão, é muito pouco, poucochinho.

Os belicistas loucos

  Anoto uma frase do ministro da defesa belga, Theo Francken : "Se Putin atacar Bruxelas , Moscovo será dizimada do mapa". Penso que ninguém lhe perguntou: por que razão a Rússia atacaria Bruxelas? Não lhe perguntaram, porque não interessa perguntar. O que interessa, no contexto em que vivemos, é alimentar uma teoria conspirativa que tem a guerra como farol incandescente que é suposto iluminar os ínvios caminhos destes líderes. Eu pensava que só as grandes potências militares se davam ao luxo de elaborar conjeturas deste teor (a doutrina militar, nestes países, não difere muito). Pelos vistos, enganei-me. O senhor ministro das guerras belga quer ser também o ministro da tontearia da União Europeia . Candidatos há muitos: ponha-se na fila, se faz favor.