A violência doméstica é um flagelo nacional, segundo os números apresentados pelas entidades competentes. No entanto, é também uma apetência para os diversos canais de televisão, os quais exploram até à exaustão, com flagrantes imagens, os casos noticiosos e que deixam, naturalmente, de ser notícia. Tudo em nome, presumo, de uma certa pedagogia de almanaque que os canais televisivos se empenham em mastigar, seja em programas da manhã, seja nos noticiários de maior audiência. Estas televisões deixam, de repente, de se importar com aquele filho de 9 anos que é constantemente exposto às imagens na televisão do pai a bater na mãe e ele, no meio, a separá-los. Sempre poderá dizer, lá na escola, que apareceu na televisão.
No decurso do após a Segunda Guerra Mundial, o papel da Europa no mundo, enquanto bloco em construção, sempre foi pautado pela aposta no diálogo e na diplomacia. A União Europeia é, neste pressuposto, o exemplo acabado dessa aposta: um espaço de diálogo entre as nações, uma espécie de nações unidas europeia, alargando o seu campo de ação para a união e o desenvolvimento económicos. A mensagem belicista estava, geralmente, a cargo de outros, bem mais capazes neste campo. Este panorama foi possível durar porque existiam pessoas com verdadeiras competências de liderança política, onde o primado estava sempre na dignidade do ser humano, em que a guerra, enquanto aposta na resolução de conflitos, só seria equacionada quando se esgotassem, radicalmente, todas as hipóteses diplomáticas. Não é isso que acontece nos nossos dias. De repente, acordamos e vemos a Europa e a União Europeia a cortarem os canais diplomáticos com a Rússia, país com o qual teremos de estar sempre ligados, po...
Comentários
Enviar um comentário