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A guerra na Ucrânia: os comentários e os comentadores

 O que leva as televisões a enveredarem por um comentário político "ad nauseaum", a respeito da guerra na Ucrânia? O que oferecem estas pessoas que diariamente povoam os ecrãs televisivos? Entre a tentativa de mostrar originalidade e erudição, existe um ponto de confluência que é o ridículo.

O hipercomentarismo tornou-se banal com o futebol. Este alargou-se desassombrosamente ao comentário político. Alguns comentadores entram numa pretensão ilusória de que do outro lado os ouvem atentamente e que são "fazedores de opinião". Não podiam estar mais errados: as pessoas que os veem procuram mais ou menos o mesmo que os telespectadores que visionam os inflamados debates futebolísticos.

Há, nesta onda (moda) televisiva um não sei quê de alguma patologia.

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O Major-General Saramago

 Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.

Comentadores

  O ziguezaguiante comentariado português das guerras mereceria, ele próprio, uma boa análise retrospetiva. A próxima cimeira Rússia - Estados Unidos é um bom exemplo das intermitências comentaristas. É uma espécie de loja chinesa: encontra-se lá de tudo.

As economias de guerra

As declarações últimas de Trump sobre Putin, Ucrânia, União Europeia, guerra mostram, indubitavelmente, a aposta da América numa economia de guerra, tal como, aliás, aparentemente, é a aposta de muitos outros países e blocos. Acontece que, nesta "lei" mercantil, há quem já esteja no terreno e quem chegue tarde. Os últimos (União Europeia) são, por norma, os mais prejudicados. Estranhamente, há um jubilamento pueril nas hostes europeias, que o comentariado televisivo acompanha. Aplaudem o quê? A continuação da guerra, com este novo"game-changing"?