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A mostrar mensagens de março, 2026

Mohammed bin Salman e nós

Mohammed bin Salman , o príncipe herdeiro saudita e, como sabemos, exemplo democrático de excelência, vê nesta guerra, iniciada por Trump e Israel ,uma oportunidade de renovar, remodelar o Médio Oriente , isto é, obliterar, seguindo o vocabulário trumpiano, o Irão . É sempre interessante ouvir estes paladinos humanistas para nos situamos e perceber melhor a hipocrisia reinante nas esferas do poder ocidental . Da mesmo forma que temos sempre a obrigação ética e moral de, nas televisões (a multidão ululante que por lá anda) afirmar a condenação veemente do regime iraniano , calamo-nos quando nos aparecem à frente estes senhores, que também andam de turbante e de saias, possuidores de um currículo com amostras tão ricas e pedagógicas como, por exemplo, o esquartejamento de jornalistas.

As superpotências

  Já aqui referi que há países e países. Uns são países, digamos, normais; outros são as superpotências . Esta asserção não me agrada, obviamente. Deveria ser tudo de acordo com a Carta das Nações Unidas , na qual as nações não se medem aos palmos. Acontece que não é assim em lado nenhum, nem mesmo na União Europeia . Aqui os países proclamam-se todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros, como sabemos. Por isso é que as chamadas superpotências se alinham numa espécie de regime à parte. Vejamos os casos destas duas guerras. Em ambas foi evocada, por parte quer dos Estados Unidos , quer da Rússia , uma premissa: a segurança do país. Nos dois casos, este fundamento é, obviamente, sujeito a uma reflexão, por parte da maioria dos homens e mulheres de boa vontade (da própria Nações Unidas), a qual terá de ser negativa: a guerra não é a resposta. Acontece que tanto a Rússia, como os Estados Unidos como a China são superpotências e a linha orientadora destes países, designadament...

There was no need, mr. vice-president

A recente comunicação mal ensaiada em que Trump obrigou J. D. Vance a retratar-se, perante o mundo, em que este, enfática e grosseiramente, sublinha o incondicional apoio ao grande e "smart" presidente, em comparação com os insanos presidentes do passado recente , foi desastradamente cómico. Por mais extremista que seja J. D. Vance, este registo não lhe assenta. Ridículo. Trump consegue estas maravilhas.

Os comedidos

  Sem dúvida que a esfera do comentariado português anda mais comedida relativamente às opiniões que se afastam de uma crítica acérrima (acéfala?) ao Irão . De facto, ao contrário do que se passou e passa (cada vez menos, é certo) na guerra entre a Ucrânia e a Rússia , ainda não vi ninguém ser acusado de defensor do regime do Irão. Nem mesmo Agostinho Costa ou Carlos Branco , por exemplo, são alvos dos aiatolás do costume. Todavia, noto que, aos poucos, o ônus se está a alterar: o Irão assoma-se cada vez mais como o principal culpado desta pestilenta guerra. Última nota, um tanto sádica: talvez não seja má ideia os líderes dos países matarem-se uns aos outros. Israel tem matado uns poucos, o Irão já jurou a morte de Netanyahu . A minha  sugestão é que estas ameaças se alarguem às respetivas famílias até, por exemplo, ao 3º grau. Provavelmente, não teríamos tantas guerras. Ou nenhuma.

Os discursos

  Segui, no carro, os discursos na Assembleia da República da tomada de posse do novo presidente. Aguiar Branco habituou-nos a uma boa retórica discursiva, fugindo, pelo tom, levemente, ao rigor institucional que a ocasião exige. Está, por isso, de parabéns. O que dizer de António José Seguro , na sua primeira intervenção enquanto Presidente? Pouco. Lá se esforçou e citou Hobbes , Jorge de Sena , Gonçalo M. Tavares e Camões . Faltou Sophia , para compor o ramalhete. Depois, foi a ideia da estabilidade e dos três anos e meio que temos pela frente sem eleições , uma oportunidade praticamente histórica, segundo o seu ponto de vista, para desencalhar Portugal do cais da amargura em que vive. Outra novidade: não é por o orçamento cair que que haverá espaço para a convocação de eleições. Questiono-me: o que têm estes paladinos da democracia contra as eleições? Serão estas sinónimos de estagnação? Olhemos para outros países europeus, bem mais à frente do que nós. Há os que são chama...

As guerras

 É singelamente curioso que, na multidão de especialistas sobre as cousas das guerras que norteiam a Rússia e a Ucrânia , Israel , Estados Unidos e o Irão não haja quem repita até à exaustão que estamos perante um estado agressor e um estado que foi agredido . Reformulo: este argumento é repetido relativamente à Rússia; é dispensado no que aos Estados Unidos diz respeito.

Pedro Sánchez

Ouvir um primeiro-ministro europeu falar sobre a guerra entre os Estados Unidos e o Irão como tem feito Pedro Sánchez deveria configurar um motivo de orgulho para qualquer cidadão europeu. Infelizmente, não é isso que se passa. Nos dias que correm, sou forçado a admitir que a Ibéria é também o meu país.

As híbridas guerras

 O conceito de guerras híbridas ultrapassam, a meu ver, a académica e militar definições. O que se está a passar no Irão é que o conceito de guerra híbrida é uma guerra traiçoeira, sem limites éticos. Dois exemplos: os E. U. A. e Israel iniciaram, com bombardeamentos, as hostilidades quando os esforços diplomáticos estariam, lendo as notícias, a dar resultados; um submarino americano afundou, com um torpedo, um navio de guerra iraniano , que se encontrava fora do espaço físico de guerra. Guerra híbrida é, pois, uma guerra sem dignidade, sem respeito, sem ética.

Danos colaterais

 A minha curiosidade é retórica, mas... enfim... arrisco. Estou curioso em verificar a reação da Europa aos bombardeamentos a alvos civis que as bombas americanas estão a causar no Irão . A mim parece-me que a Rússia , em comparação com os americanos e, obviamente, israelitas, é muito mais cuidadosa nos mísseis que dispara. Os danos colaterais são inevitáveis, como é óbvio. É uma das razões - porventura a mais importante - de as guerras serem cruéis. Que culpa tem o cidadão comum da estupidez dos seus governantes?

A Europa e a guerra

 Se por acaso bastasse ainda alguma prova do algodão para aferir a qualidade dos líderes europeus , a sua reação relativamente ao ataque dos E. U. A. e Israel ao Irão bastaria para uma o dissipação de qualquer dúvida. Soubemos, assim, que o Irão tem de controlar os seus ímpetos retaliatórios. Do mesmo sentido, ver Zelensky aplaudir a ação dos E. U. A. e de Trump também é hilariante.