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Mensagens

A mostrar mensagens de abril, 2026

Estúpidos, estupidez

 Não encontro outras palavras para qualificar as lideranças europeias . Agora já querem criar canais diplomáticos com Putin . Ficamos então a saber que só ao fim de... trezentos mil?... quatrocentos mil?... quinhentos mil?... mortos é que estes senhores começam a equacionar a necessidade de dialogar com a Rússia .

O atentado e o comentário

 As televisões noticiosas portuguesas são o que são. Habituaram-se e habituaram-nos a uma lógica comercial baseada no comentário num fluxo constante durante 24 horas, apenas com interrupções para almoçar, jantar e pouco mais. Hoje, um tipo suicida de 31 anos entrou a correr, com armas e facas escondidas, no salão onde decorria o tradicional jantar dos correspondentes da Casa Branca . Foi prontamente parado nos seus intentos, apesar de terem sido disparados pouco tiros. Ora, estas televisões portuguesas trataram logo, no seu grau zero noticioso, de chamar os especialistas do costume, que estão, desde manhã cedo, a fazer o que sabem melhor: comentar. Ainda não os ouvi, mas aposto que andam a perorar entre o impacto que tudo isto terá na guerra com o Irão , em Israel , na política interna americana (falarão, sem se rirem, nas eleições de novembro ) e do que se lembrarem. E do que não se vão esquecer é questionar a Inteligência Artificial . A Inteligência Artificial é o pote de ouro ...

Lugar de ladrão é na prisão explicado aos mais novos

 Lugar de ladrão é na prisão, berravam os apoiantes do Chega , aquando da passagem da comitiva de Lula da Silva às portas do Palácio de Belém . Claro que lugar de ladrão é na prisão. Acontece que, em democracia, quem mete na prisão os ladrões são os tribunais e não os partidos políticos. Se Lula da Silva não está na prisão é porque não é ladrão. Então em que ficamos? Ah! É o sistema de justiça brasileiro que não funciona, tal como o português (se funcionasse, outro ladrão, segundo o Chega, ex-primeiro ministro de Portugal , também estaria na prisão). Como resolver? No caso do Brasil, é votar em bloco no bolsonarismo , que tão grandes frutos deu o seu consulado; no nosso caso, é votar magnanimamente na extrema-direita . Tão simples. O que estamos à espera para salvar este torrão luso da corrupção e da bandidagem? Sempre teremos Trump a apoiar-nos.

Precariedade e desemprego

 Maria do Rosário Palma Ramalho, na sua defesa da lei laboral proposta pelo Governo, afirma que a "verdadeira precariedade é não ter emprego". Eu até percebo o alcance das palavras da ministra, que costuma, por regra, ser muito curto. Mas ela está completamente equivocada e demonstra, com esta absurda afirmação, a sua consideração pela luta dos trabalhadores que, estando empregados, veem sempre a luz escura da precariedade e do desemprego ao fundo do túnel.

O futebol (a cultura desportiva) português

  Lembrei-me de pesquisar o número de espetadores no que assistiram ao jogo Arouca-Estrela da Amadora no Estádio Municipal de Arouca, um jogo importantíssimo para as duas equipas, nesta fase final do campeonato de futebol da primeira divisão. Foram 1804 pessoas que estiveram no estádio. Por acaso, com o comando da televisão na mão, passei de relance por um jogo de iniciados ou juvenis entre o Futebol Clube do Porto e outra equipa qualquer. Seguramente que os espetadores presentes no estádio suplantavam o número do jogo entre o Arouca e o Estrela da Amadora. Em qual destes dois jogos existe uma enorme anormalidade? Adivinharam.

Trump, Cristo, liberdade, indignação e hipocrisia

Podemos criticar as opções estéticas de Trump nas suas publicações nas redes sociais, quando, por exemplo, utiliza uma determinada iconografia de Jesus Cristo . Ou quando nos aparece com aqueles engraçados bonés a encimar uma curiosa cabeleireira estranhamente amarela. O que não podemos, a meu ver, é indignarmo-nos com supostas ofensas (Trump ofendeu não sei quantos milhões de católicos, como se sublinha, repetida e ostensivamente, na imprensa) a um grupo de pessoas que, por maior e importante que seja, professa uma determinada fé religiosa. Chama-se a isso liberdade de expressão , como António , no Expresso , há largos anos, mostrou ao mundo.

Debates

 De repente, os debates são notícia. Apareceu-me no computador, através do programa do Ricardo Araújo Pereira, esta pérola , um debate entre um deputado do Chega, outro do PS e ainda outro, aparentemente, do PSD. Fiquei siderado. Não sei qual as ordens que a jornalista  recebia no seu auricular. Não foi, decerto, a ameaça ao deputado do Chega no sentido de, a continuar o descalabro vocabular, chamaria o segurança para o pôr a andar dali para fora.

Trump: entre Cristo e o Papa

Custa-me entender o reboliço mediático que a imagem de Trump a fazer de Cristo causou nos horizontes ocidentais. Antes já causara semelhante atenção quando apareceu iconicamente travestido de papa . Vestido de papa, de Cristo ou de capitão América , Trump é Trump. Não podemos criticar os muçulmanos quando  o seu Messias aparece caricaturado em revistas e chocarmo-nos quando o nosso Messias surge caricaturado nas redes sociais do presidente dos Estados Unidos da América. Messias há muitos e para todos os gostos. Para muita gente, Donald Trump é o verdadeiro.

O debate promovido pelo Pacheco Pereira

  Vi ontem o debate entre Pacheco Pereira e André Ventura . Dali não saiu nada. André Ventura agradece a Pacheco Pereira mais esta possibilidade de autopromoção, ainda para mais quando o convite vem de alguém que é historiador e o debate é, precisamente, sobre história. Pacheco Pereira deveria saber que não se debate história nestes termos. Nem história, nem qualquer outro tema academicamente exigente. Foi uma grande confusão e ficamos a saber que tanto um como o outro têm a mesmíssima opinião sobre José Sócrates : é um bandido que andou a roubar o povo português.

Banalidades da democracia israelita

 O último ataque israelita ao Líbano fez mais de 200 mortos e 1000 feridos. Israel é, segundo o que nós por cá dizemos, uma democracia, a única no Médio Oriente. Sempre pensei que uma democracia assentava em valores basilares como o respeito pelos direitos humanos preconizado, por exemplo, entre outros documentos, pela " Carta das Nações Unidas ". Do mesmo modo, sempre pensei que as democracias, as que temos por cá, rejeitavam inexoravelmente qualquer tipo excessivo de ataques no âmbito de operações militares. Isso é o que eu sempre pensei. Nos dias que correm, ou, se preferirem, "at the end of the day", no que concerne ao respeito pela vida humana, não sei a diferença entre democracia, autocracia e ditadura. E nós por cá temos contribuído muito para esta amálgama.

O alegado sr. Engenheiro: a sátira do povo para o melhor povo do mundo

  Estreou há dias um musical que pretende satirizar o calvário judicial que josé Sócrates , ex-primeiro-ministro de Portugal, tem passado ao longo de mais de uma década. O calvário não é só de José Sócrates: é também da justiça portuguesa . O melhor povo do mundo, segundo os nossos presidentes da república (o último e o atual) está habituado a comer palha, pelo menos a maioria. E, quando se dá palha e se gosta de palha, come-se, por habituação, palha. E, desgraçadamente, habituamo-nos à palha, não querendo mesmo outra variedade alimentícia. Daí que os filões destes reis da comédia, numa linha que vem da antiga revista à portuguesa (à portuguesa, pois claro), passando pelo farolista La Féria e acabando em espertalhonas equipas criativas que alevantaram o musical " Sr. Engenheiro - alegadamente um musical " (os espertalhões têm nome: Henrique Dias e Rui Melo ) passem, desavergonhadamente, por cima de alguém que está a ser, presentemente, julgado nos tribunais. O protagonista ...