Estreou há dias um musical que pretende satirizar o calvário judicial que josé Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, tem passado ao longo de mais de uma década. O calvário não é só de José Sócrates: é também da justiça portuguesa.
O melhor povo do mundo, segundo os nossos presidentes da república (o último e o atual) está habituado a comer palha, pelo menos a maioria. E, quando se dá palha e se gosta de palha, come-se, por habituação, palha. E, desgraçadamente, habituamo-nos à palha, não querendo mesmo outra variedade alimentícia. Daí que os filões destes reis da comédia, numa linha que vem da antiga revista à portuguesa (à portuguesa, pois claro), passando pelo farolista La Féria e acabando em espertalhonas equipas criativas que alevantaram o musical "Sr. Engenheiro - alegadamente um musical" (os espertalhões têm nome: Henrique Dias e Rui Melo) passem, desavergonhadamente, por cima de alguém que está a ser, presentemente, julgado nos tribunais.
O protagonista deste alegado musical chama-se Manuel Marques, um conhecido humorista português. Manuel Marques foi acusado pela filha (alegadamente com o anuência da mãe) de violência doméstica durante anos, segundo o que eu li. Não sei, obviamente, se as acusações da filha de Manuel Marques têm fundamento. Não me interessa. Tudo isto é alegadamente, como o subtítulo do musical.
Seria interessante se os espertalhões Henrique Dias e Rui Melo pegassem nesta minha ideia: e se o próximo musical fosse sobre um pai, humorista de profissão, que, durante décadas, enganou tudo e todos na sua alegada bipolaridade de fazer rir e chorar?
Prometo que, se levarem avante esta minha proposta, os meus honorários serão os mais reduzidos possíveis. Afinal, palha não deixa de ser palha: é barata.
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