Não se consegue compreender, do ponto de vista humanitário e prospetivo, a rigidez que a nova lei da nacionalidade traz para os que querem nacionalizar-se e não são Abramovitches.
Temos um problema demográfico e uma assimetria territorial preocupantes. O repovoamento homogéneo do território continental português precisa de ser empreendido.
Perante isto, o que faz este extraordinário governo? Dificulta a naturalização de pessoas que escolheram Portugal para uma existência condigna. Ser português, dizem os demagogos conservadores, não é para qualquer um. É necessário dominar a língua, a cultura, etc. Claro que sim. Eu conheço muitos portugueses (de bem, puros, como diria o Chega e o CDS-PP) que não se enquadram nestes dois pressupostos, por exemplo.
Para além disso (lá está: o enquadramento cultural do que é ser português), esta gente não sabe o que foi a nossa epopeia migratória para o Brasil e para a Europa civilizada. De epopeia só sabem que existe uma coisa chamada Lusíadas, pelo qual relançaram os apagados cérebros aquando do ensino básico. Basta-lhes. Camões é puro. Camões é ser português.
Depois temos um Presidente da República que, para infelicidade nossa, vai passar cinco anos (dez?) a dizer as maiores inocuidades que um presidente da república pode dizer, com o PS, partido que deveria situar-se nos antípodas desta nova lei, a amaciar-lhe a oratória, numa tentativa patética de descodificação interpretativa da suas eminentes palavras.
Portugal no seu melhor.

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