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A mostrar mensagens de junho, 2026

A indemnização a José Sócrates

 O estado português foi condenado a pagar uma indemnização a José Sócrates por danos não patrimoniais . O ministério público apressou-se a confirmar que vai recorrer da sentença. Pois é: são estes recursos que complicam e atrasam os procedimentos processuais até à condenação (ou absolvição, embora José Sócrates não usufrua da presunção da inocência ) dos arguidos. Não é esta máxima que nos andam a vender há muito tempo?

Mark Rutte

Macron insurgiu-se contra António Costa por este ter conjeturado sobre o óbvio: a necessidade de abrir um canal diplomático com a Rússia. Nada disse em relação às declarações do extraordinário secretário-geral da NATO sobre Trump. Nem Macron, nem qualquer líder europeu cujo país faça parte da Aliança Atlântica. Ficamos assim a saber que Donald Trump é o líder do mundo livre, segundo Mark Rutte.

11 milhões

 Segundo li, vivem em Portugal mais de 11 milhões de pessoas. Não sei quem é que pode não gostar desta notícia. Portugal e, principalmente, as cidades do interior, bem precisam destas e de mais uns milhões de pessoas.

Os telejornais do futebol

 Por que razão a vitória de Portugal ao Uzbequistão ocupou meia hora de todos os telejornais? Respondo: porque somos um país cultural e socialmente deficitário. Porque aquilo que o sr. Ventura designa por sistema gosta de alimentar o povo, o povão, com palha. Porque não somos capazes de nos desfazer do peso visceral do atraso que a ditadura nos impregnou. Porque as nossas escolas não conseguem transmitir novos horizontes civilizacionais. Porque os políticos gostam de um povo futebolisticamente patriótico. Porque vivemos bem desta maneira.

A rejeição do pacote laboral

 Foi engraçado ver a esquerda aplaudir, não sei se de pé, a rejeição do pacote laboral , fruto do voto populista do Chega . Foi também engraçado ver André Ventura com o punho cerrado, virado para as galerias do parlamento, encenando, populisticamente, a vitória dos trabalhadores . Igualmente engraçado foi aferir os discursos dos partidos da esquerda parlamentar , fugindo do Chega a sete pés, evocando a vitória dos trabalhadores, esquecendo que esta vitória dos trabalhadores só foi possível graças ao voto do Chega. Ajudaram, com este discurso revolucionário, quase proletário ( PS incluído) a colar o Chega aos interesses dos trabalhadores, esquecendo que este partido surfa nas ondas fundamentalmente populistas, chegando até a espernear com a descida da idade da reforma !

Irão-EUA: o acordo

Parece que é Lampedusa o autor da célebre premissa "é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma". No caso do pré-acordo de paz assinado entre os EUA e o Irão não se chegou sequer à primeira parte da ideia vinculada na frase. Obviamente que não é isso que pensarão os familiares das vítimas.

O comentariado português (agora no futebol)

 Não sei bem de onde ou quando surgiu esta adição, mas habituaram-nos, as televisões fundamentalmente, a uma linha de comentário terrivelmente disparatado. O futebol foi, talvez, o culpado. Dá audiência, pelos vistos, ouvir os especialistas de tudo. Seguir os jogos deste campeonato do mundo pelas televisões generalistas é uma caricatura. Os tipos são uma espécie de cientistas da bola. Dizem coisas quem nem ao diabo lembra. E não se calam! Segue-se, depois, o "pós-match". Horas e horas de ciência futebolística.

À espera do pós-comentário

  Ontem, a propósito do presumível  acordo de paz entre o Irão e Estados Unidos da América , as televisões fizeram um "non-stop" do comentário. O resultado foi deslumbrante, irónico, ridículo: horas a comentar o nada, pois nada sabiam do que estavam a comentar. E não sabiam porque não tinham como saber: nada ainda tinha saído, a não ser o enésimo post de Donald Trump . Hoje, a saga continua: os comentadores voltam atacar. Ontem, o resistente foi Azeredo Lopes , ex-ministro da defesa.

O futebol, outra vez (não haveria mal se...)

  Entramos já no período em que o país para, literalmente. Deixa de haver mundo, ou melhor, este reduz-se à seleção portuguesa de futebol e tudo o que gravita em seu redor. Como não podia deixar de ser, o nosso Presidente da República, entusiasmado e legitimado pelo voto popular em eleições, fazendo proveitoso uso das suas altas competências e fragilidades, lá realçou o orgulho que sentimos por tal demanda, pois o sonho torna-se realidade e que os "portugueses merecem", acabando com um "vamos com tudo, muito obrigado". Depois, o nosso maior orgulho patriótico, capitão da seleção portuguesa de futebol, lá lhe ofereceu uma camisola autografada por todos os jogadores da seleção nacional com o nome Seguro nas costas. Tenho a ligeira impressão que a coisa se vai repetir, mas desta vez o nome nas costas da camisola será Montenegro.

Política, politicos

Estou cada vez mais convencido de que a política e os homens políticos de hoje caracterizam-se mais pela mesquinhez, pela humanidade rasteira, pelas decisões potencial e pessoalmente vantajosas do que por aquilo que a verdadeira política representa. Os homens políticos de outrora nada têm a ver com esta gente que governa a Europa. Dito de outro modo, os seus defeitos e limitações eram inexoravelmente diferentes. E o que é pior, no meio disto tudo, é que são precisamente estas idiossincrasias que atraem os jovens para a política. Seguro, Passos Coelho, António Costa, Montenegro, entre outros foram os primeiros destes jovens. Portugal, neste contexto, é só mais um.

A entrada de Portugal para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU

  Celebrar a (re)entrada para membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU como uma vitória do atual executivo é uma hipocrisia. Esta reentrada deve-se, fundamentalmente, ao trabalho contínuo e sem sobressaltos da diplomacia portuguesa . Com efeito, temos, na visibilidade externa, uma apreciação de um país que não levanta "muitas ondas" nas questões mais fraturantes como, por exemplo, as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, um país silencioso, abocanhado por uma obsessão provinciana e pouca digna de responsabilidade institucional relativamente aos "nosso aliados".  Neste contexto, PSD e  PS não diferem. Daí que esta vitória (a forma futebolisticamente vitoriosa como Portugal e a Áustria festejaram, na Assembleia das Nações Unidas, a entrada para o Conselho de Segurança, diz muito sobre os tempos e os lideres que correm) se deva, fundamentalmente, a estes dois partidos. Escusam, pois, Rangel e Montenegro de navegar nestas águas de "mais uma vitór...

Banco Alimentar contra a Fome

Admito que o defeito possa ser exclusivamente meu, mas quando vejo as sazonais campanhas do Banco Alimentar contra a Fome e, principalmente, o destaque dado pelas televisões e as declarações não só dos responsáveis, mas também de jovenzitos muito bem amanhados nas suas organizadíssimas cabeleiras, não consigo deixar de sentir um inefável esgar de repúdio e hipocrisia. Mas o defeito será, como disse, meu.