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Sporting de Braga

Todos nós sabemos - mesmos aqueles que não querem saber - que o futebol português é, tendo em conta os países da nossa esfera cultural, extraordinariamente antidemocrático. Explicando: o futebol português resume-se às gravitações desportivas, psicológicas, sociais, culturais, económicas, comunicacionais, mediáticas... de três clubes. Todos nós sabemos - mesmo aqueles que não querem saber - que este panorama é exclusivo do nosso torrão pátrio. Podemos mesmo afirmar que, futebolisticamente, não há mais vida para além do Porto, Sporting e Benfica.

Daí que admire muito o trabalho que António Salvador, presidente do Sporting de Braga, está a desenvolver no principal clube da cidade. No fundo, está a decalcar uma trajetória já antes experimentada - com enorme sucesso - pelo presidente Pinto da Costa. Tal como fez Jorge Nuno Pinto da Costa com o seu Futebol Clube do Porto, António Salvador está, principalmente, a mudar mentalidades. Trabalho árduo, reconheça-se, mas que, paulatinamente, dá os seus frutos. O caminho, que espero que seja replicado em mais cidades (Guimarães é exemplar), só pode ser este: clubes e cidades, clubes e regiões, os clubes enquanto símbolos identitários. Só assim deixamos de ter um futebol pacóvio, no qual as as televisões alinham, vendendo multidões de comentadores a comentar o vazio, o vácuo, as maiores  trivialidades em redor do Porto, do Benfica, do Sporting.

E é também assim, com estes exemplos, que crescemos enquanto país.

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