Segui, no carro, os discursos na Assembleia da República da tomada de posse do novo presidente. Aguiar Branco habituou-nos a uma boa retórica discursiva, fugindo, pelo tom, levemente, ao rigor institucional que a ocasião exige. Está, por isso, de parabéns. O que dizer de António José Seguro, na sua primeira intervenção enquanto Presidente? Pouco. Lá se esforçou e citou Hobbes, Jorge de Sena, Gonçalo M. Tavares e Camões. Faltou Sophia, para compor o ramalhete. Depois, foi a ideia da estabilidade e dos três anos e meio que temos pela frente sem eleições, uma oportunidade praticamente histórica, segundo o seu ponto de vista, para desencalhar Portugal do cais da amargura em que vive. Outra novidade: não é por o orçamento cair que que haverá espaço para a convocação de eleições. Questiono-me: o que têm estes paladinos da democracia contra as eleições? Serão estas sinónimos de estagnação? Olhemos para outros países europeus, bem mais à frente do que nós. Há os que são chamados mais vezes às urnas e também há os que o não são. Tão simples quanto isso. Parem, por favor, de culpar o normal funcionamento da democracia, instaurado, objetivamente, na Assembleia da República, ao mesmo tempo que defendem a soberania do povo.
Não é de todo aconselhável este exercício em plena condução.

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