As televisões noticiosas portuguesas são o que são. Habituaram-se e habituaram-nos a uma lógica comercial baseada no comentário num fluxo constante durante 24 horas, apenas com interrupções para almoçar, jantar e pouco mais.
Hoje, um tipo suicida de 31 anos entrou a correr, com armas e facas escondidas, no salão onde decorria o tradicional jantar dos correspondentes da Casa Branca. Foi prontamente parado nos seus intentos, apesar de terem sido disparados pouco tiros.
Ora, estas televisões portuguesas trataram logo, no seu grau zero noticioso, de chamar os especialistas do costume, que estão, desde manhã cedo, a fazer o que sabem melhor: comentar. Ainda não os ouvi, mas aposto que andam a perorar entre o impacto que tudo isto terá na guerra com o Irão, em Israel, na política interna americana (falarão, sem se rirem, nas eleições de novembro) e do que se lembrarem.
E do que não se vão esquecer é questionar a Inteligência Artificial.
A Inteligência Artificial é o pote de ouro no fundo do arco-íris: aparece-lhes à frente com uma rapidez extraordinária, numa lógica de diferenciação argumentativa, nem que seja mínima, para povoar, imaculadamente, os seus espaços do comentário televisivo.
A multidão dos comentadores agradece.
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