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O desconforto de Luís Neves

 

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi descuidado, a respeito da embrulhada em que se meteu com as obras numa das suas casas em Odemira. Descuidado é o qualificativo que por aí circula. Chama-se a isso eufemismo. O contrário de eufemismo é disfemismo. Ora, o eufemismo e o disfemismo são correntemente usados pela comunicação social consoante as personalidades visadas. Não fosse Luís Neves eufemisticamente caraterizado pela maioria dos comentadores (há pouco, ouvi e vi alguém na CNN Portugal perguntar à sua colega comentadora se nunca tinha feito obras em casa...) já tínhamos a cabeça do ex-diretor da polícia Judiciária empratada numa bandeja de prata. Luís Neves cultivou uma imagem de objetividade discursiva e de ação que se adequava ao cargo ocupava na Polícia Judiciária. Num ápice, com as suas titubeantes explicações nas televisões, apagou definitivamente esse imaginário jornalístico. Perante isto (as suas supostas aldrabices), só existe um caminho para um ministro, qualquer que seja: demissão. Ficar-lhe-ia bem se fosse por "motu proprio".

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