A política perde quando os seus principais intervenientes navegam em casos dúbios como o que se passa com Luís Neves. No entanto, perde ainda mais quando, no partido que suporta o governo, não se ver ninguém com um discurso que esteja no lugar certo. E o lugar certo, neste caso em particular, é só um: não é tolerável a arrogância do ministro da Administração Interna quando afirma que só dará explicações quando ele bem entender. Esta arrogância é acompanhada, sem surpresa, pelo primeiro-ministro. Acontece que o PSD não se pode comportar, do ponto de vista ético, como o Chega. Infelizmente, com a retórica vazia dos diversos dirigentes do partido, na tentativa de arranjarem uma explicação plausível para este imbróglio, o que se verifica é que este PSD, reformulado por Passos Coelho, é, na verdade, outro partido.
Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.
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