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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2026

O intrigante caso Cristiano Ronaldo

  Anda por aí um burburinho noticioso sobre a polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus . A questão resume-se a uma decisão simples, que qualquer treinador se depara: joga ou não joga? Acontece que não é assim tão simples. Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer, pois não é um mero jogador de futebol. Em Portugal, é uma instituição. Fomos nós, com o nosso atávico sebastianismo provinciano, que criamos Cristiano Ronaldo, ou o CR7 . Cristiano era o melhor jogador do mundo, Cristiano era o orgulho de Portugal, Cristiano simbolizava o patriotismo, Cristiano tem nome de aeroporto , Cristiano era jubilado por presidentes, Cristiano era mencionado por primeiros-ministros, Cristiano era valorizado na Assembleia da República... Cristiano era Portugal. Ou seja: Portugal no seu melhor. Eu, que nunca concordei com isto, percebo Ronaldo. E tenho praticamente a certeza de que Cristiano Ronaldo, que não estará, decerto, entre os dez maiores jogadores da história (mas vinculará en...

A propósito da justiça e do jornalismo

 A recente acusação do M inistério Público relativamente ao caso das gémeas traz à colação um dos nossos grandes defeitos, que é a inversão do ónus da prova . Independentemente das opiniões pessoais, devemos ter sempre em consideração que ninguém é culpado por ter sido alvo de uma acusação por parte do Ministério Público: até prova em contrário, somos todos inocentes. É evidente que quem pastoreia as televisões sabe isso, mas não resiste ao achismo e à inversão deste pressuposto incontornável da justiça. A opinião desta gente tem de ficar vincada(mas não vinculada). Ainda ontem ouvi isto na televisão, a respeito de um ataque russo  à Ucrânia: " ataque miserável da Rússia ". Qual a razão deste imbecil deixar a sua marca opinativa? Miserável porquê? Os ataques da Ucrânia não são miseráveis? O que é que  se ensina nas escolas de jornalismo ?

Os nossos comentadores

 Continua a espantar-me a aposta obsessiva das televisões nos comentadores de tudo e mais alguma coisa. A respeito da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o disparate, a imaginação, a mentira (direta ou indireta) não têm, aparentemente, limites, nem deles próprios, nem das estações televisivas que os acolhem. Seria interessante, por exemplo, que, a respeito deste tema, alguém se desse ao trabalho de compilar as variadas e díspares opiniões desta gente. Seria um trabalho louvável, tanto do ponto de vista pedagógico (as escolas de jornalismo agradeciam), como do ponto de vista cívico. E também, já agora, com algum (muito) humor à mistura. Vou dar um exemplo, a respeito deste último parâmetro (o humorístico): vi e ouvi Nuno Rogeiro afirmar, séria e realisticamente, que não ia, obviamente, dar a informação por motivos de segredo militar (os russos poderiam ficar a saber).

Será verdadeira?

  Quero acreditar que esta fotografia seja uma montagem, uma aldrabice. Trata-se da inauguração de uma escola secundária pública, em Cascais.

O discurso do imperador Trump na ONU

 Ouvi e vi Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas . Donald Trump consegue estimular nas pessoas uma ausência de perplexidade. Tirando os elementos que ocupavam os lugares de Cuba , ninguém se mexeu. Antes pelo contrário; o que mais vi foi um assertivo abanar dos cocurutos, em sinal de uma concordância marcada por uma orgulhosa estupidez. O discurso foi também interrompido por palmas, várias vezes. Trump proclamou-se, por exemplo, dono da Gronelândia e os tristes dinamarqueses nem pestanejaram. Pelo contrário, mostraram-se esplendorosamente satisfeitos. Porém, há uma chave de segurança que se chama Rússia e China . Para mal dos pecados de Trump, o mundo unipolar foi um sonho, uma quimera americana, seja a América democrata ou republicana. Trump proclamou os Estados Unidos da América como o farol do mundo civilizado, uma civilização feita à medida. E nisso os democratas futuros agradecem. Quem pensa que o partido democrata rejeita esta visão, pode fazê-lo sentado. N...

Eleições na Rússia: a nossa explicação

 Há eleições na Rússia? Obviamente que estão manipuladas e, por isso, não contam. Até proibiram um partido - o único que se posicionava contra a guerra - de se candidatar. Nas nossas televisões, à boleia das explicações dos especialistas, a narrativa não se afasta disto. É a democracia no seu mais elevado grau... abaixo de zero.

Portugal, um exemplo: o que se passa connosco?

 A comunicação ao país de Luís Montenegro , primeiro-ministro de Portugal , à hora de abertura dos telejornais, foi, do ponto de vista político, muito interessante. Luís Montenegro não resistiu em utilizar a palavra mais usada neste tipo de comunicações: exemplo! Portugal é um exemplo na Europa ! Tem havido, ao longo dos tempos, derivações, algumas das quais já presentes na ditadura do Estado Novo. Uma delas, porventura a mais conhecida é a do oásis : Portugal é um oásis! Já fomos também bons alunos: Portugal é um bom aluno na Europa. Assim, interrogo-me: o que se passa connosco? Será que já demos a volta ao circuito, ultrapassámo-los (aos outros países) e não demos conta que vamos à frente? Andaremos por engano na cauda da Europa ?

Testar a NATO

 Ainda a respeito do que aqui escrevi, a resposta dos extraordinários líderes europeus de que a Rússia anda a testar a nossa prontidão para responder aos ataques de que somos alvo serve também de agradecimento. De facto, a Federação Rússia presta um grande favor à Europa, ao treiná-la/testá-la/aperfeiçoá-la para afinar a sua capacidade de resposta. Afinal, o Putin não é assim tão mau.

Ucrânia e corrupção

 Parece que a corrupção se encontra endemicamente presente na sociedade ucraniana e, consequentemente, os altos e menos altos cargos políticos não escapam a esse flagelo. Há dias, foi demitido o procurador-geral do país . Antes dele, outros foram demitidos, demitiram-se ou simplesmente desapareceram. Enquanto isso, o país continua a receber milhares de milhões de euros. Vai ser interessante verificar, "at the end of the day", quantos corruptos se tornaram milionários à custa destas injeções de euros que Zelensky , periodicamente, reclama dos seus amigos europeus. A história far-se-á, indubitavelmente, sem emoções. E, nessa altura, verificaremos, também, que deveríamos olhar, imparcialmente, para o lado russo . É isso que não conseguimos fazer agora.

Do que estamos à espera?

 A pergunta é legítima, como legitimas são outras em sentido diferente. O assunto é a guerra que se trava na Ucrânia . Inquieta-me a facilidade pueril com que se mete achas para a fogueira. Ora é o drone russo que não explodiu no aeroporto de Leipzig , ora é o ataque ao comboio junto à fronteira polaca , que permitiu a Boris Johnson aparecer nos media internacionais, ora são os drones russos que andam por aí a voar, etc. Em tudo isto, há um denominador comum: a Rússia quer testar a NATO . Ninguém se questiona: quer testar a NATO para quê? Custa-me a crer que a narrativa de que Putin , montado no seu cavalo branco, tem um objetivo imperialista que tem a Europa como foco ainda venda. Pelos vistos, vende, e bem, se tivermos em linha de conta os nossos esforçados comentadores, os quais, quando se trata de comentar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia , têm sempre o cuidado de tomar uma claríssima posição a favor da Ucrânia.

A diplomacia do abraço

Se há coisa que Zelensky trouxe primorosamente à diplomacia europeia é o abraço. Com o presidente ucraniano, todos são grandes amigos. Entre sorrisos alargados e continuados, beijos simpáticos, pujantes apertos de mão, o abraço cumpre inexoravelmente o objetivo de selar o encontro. De repente,os países deixaram de ser paises para se tornarem no sr. Macron, no Sr. Costa, no Sr. inglês que já deixou de ser abraçado. Na diplomacia do antigamente, que ainda se mantém noutras paragens mais adultas, os países encontravam-se e cumprimentavam-se institucionalmente. Longe dos holofotes televisivos, poderiam até celebrar efusivamente. Mas agora, com esta gente, o que interessa é mostrar, antes e depois, o abraço, o laço indestrutível da novel diplomacia.

O (algum) jornalismo

 Notícia da SIC-Notícias sobre José Sócrates : o ex-primeiro ministro apresentou uma queixa crime contra Rosário Teixeira , o procurador que liderou a Operação Marquês . Sócrates quer que o procurador seja investigado por falsidade de testemunho , queixa-se também (...). Para Sócrates custou meio milhão de euros. Tudo isto é citado de memória e, por isso, vai sem aspas, mas o efeito perlocutório reside, acentuadamente, na última frase: o dinheiro do Sócrates, o dinheiro do amigo do Sócrates, o dinheiro sujo, o dinheiro lavado, o dinheiro corrupto. Curiosamente, antes disto, o mesmo jornalista preocupou-se, a respeito da vitória da AFD na Alemanha, que o partido da extrema-direita alemã quer retomar os canais diplomáticos com a Rússia. Para este espécime, a tragédia da vitória da AFD objetiva-se no diálogo com a Rússia.

O coreógrafo ministro

 Não deixa de ser anedótico ouvir e ver Leitão Amaro  criticar a coreografia dos partidos da oposição a respeito da crise desencadeada por Luís Neves . É que permanece ainda na nossa memória o filme produzido pelo ministro da Presidência, no qual se revela uma personalidade profundamente egocêntrica, plasmado num cómico desenho fílmico.

O vilão de um lado e os puros do outro

 Têm-nos vendido a ideia de que Putin e a Rússia são o diabo e os outros - nós e a adotada Ucrânia - são os paladinos da verdade e da justiça. Os maus querem pôr-nos à prova; os bons defendem-se do ataques híbridos daqueles. Podemos, claro, olhar desta maneira para a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Se não tivermos capacidade de analisar criticamente os acontecimentos pretéritos e presentes, agarramo-nos devotamente á narrativa que os nossos lideres europeus propagandeiam. E é este viver acriticamente que não nos permite, por exemplo, analisar as ações da Ucrânia relativamente à chamada e acusatória guerra híbrida. Alguns exemplos: Nord Stream, atentados à bomba (carros, cafés...), desinformação, interferência externa...

Ucrânia: a guerra e a escalada

 Tem-se falado, com propriedade, do perigo de uma escalada da guerra na Ucrânia. A bem da verdade, essa escalada já começou há muito, com a entrada dos países NATO na contenda bélica. De facto, a Rússia está em guerra com um bloco de países, uns mais ativos, outros menos. Contudo, a recente declaração de Zelensky avisando as companhias aéreas que operam no território da Federação Russa de que o não devem fazer, visto que o espaço aéreo daquele país não será mais seguro, configura uma escalada nunca antes vista. Será que ainda vamos ver um avião civil abatido para depois entrarmos numa rodopio de culpas alheias? As guerras - as alargadas e imensamente destrutivas - são assim que começam.

A moção da República

  De repente, o partido Chega e o seu líder viraram os paladinos da ética política. São oportunos e populistas? Claro. São demagogos e itinerantes, vogando ao sabor do cálculo político? Evidente. Não creio que o Chega se insira, pronto a vestir, naquilo que muitos chamam o internacional populismo. O mesmo se passava com o PCP, que muitos acusavam de enfardar com a linha orientadora do partido comunista soviético. Portugal tem as suas idiossincrasias e uma delas chama-se Estado Novo. E é o Estado Novo (e aqueles que o pretendem renarrar) que ainda reorienta uma percentagem considerável dos portugueses, sejam eles velhos, novos, operários ou académicos. Do mesmo modo, foi a ditadura que emergia o PCP durante as primeiras décadas de democracia. Tudo isto é verdade, como é verdade que o Chega está cheio de razão relativamente ao caso Luís Neves. Podemos afirmar, sem qualquer espécie de exagero, que este é o governo em que o nível da decência política se encontra abaixo de zero. A Spinu...