Estamos habituados a ouvir os dois principais responsáveis políticos do país escudarem-se no miraculoso argumento de o primeiro-ministro sabe o que eu penso. O contrário é também válido. Acontece que esta estratégia tem mais a ver com cobardia política do que dever institucional. Os portugueses devem saber o que pensa o presidente da República sobre, por exemplo, os anedóticos casos que assolam os ministérios da administração interna e da educação, assim como o extraordinário arrombamento do gabinete do Chega. A República (é isso que interessa) merece essa abertura. Estou em crer (já o escrevi) que António José Seguro espelha bem o que não deve ser um Presidente da República: vazio, autoelogioso e autoproclamadamente vigilante, segredista. Luís Montenegro, o primeiro-ministro mais chico-esperto que tivemos até hoje, agradece.
Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.

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