De repente, o partido Chega e o seu líder viraram os paladinos da ética política. São oportunos e populistas? Claro. São demagogos e itinerantes, vogando ao sabor do cálculo político? Evidente.
Não creio que o Chega se insira, pronto a vestir, naquilo que muitos chamam o internacional populismo. O mesmo se passava com o PCP, que muitos acusavam de enfardar com a linha orientadora do partido comunista soviético. Portugal tem as suas idiossincrasias e uma delas chama-se Estado Novo. E é o Estado Novo (e aqueles que o pretendem renarrar) que ainda reorienta uma percentagem considerável dos portugueses, sejam eles velhos, novos, operários ou académicos. Do mesmo modo, foi a ditadura que emergia o PCP durante as primeiras décadas de democracia.
Tudo isto é verdade, como é verdade que o Chega está cheio de razão relativamente ao caso Luís Neves. Podemos afirmar, sem qualquer espécie de exagero, que este é o governo em que o nível da decência política se encontra abaixo de zero. A Spinunviva foi, talvez, o despoletar de um modo de agir que nada tem a ver com a ética republicana. A moção de censura por parte do Chega é bem vinda e o PS, com os rodriguinhos próprios do seu líder, faz mal em não se colocar ao lado da República.

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