Anda por aí um burburinho noticioso sobre a polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus. A questão resume-se a uma decisão simples, que qualquer treinador se depara: joga ou não joga? Acontece que não é assim tão simples. Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer, pois não é um mero jogador de futebol. Em Portugal, é uma instituição. Fomos nós, com o nosso atávico sebastianismo provinciano, que criamos Cristiano Ronaldo, ou o CR7. Cristiano era o melhor jogador do mundo, Cristiano era o orgulho de Portugal, Cristiano simbolizava o patriotismo, Cristiano tem nome de aeroporto, Cristiano era jubilado por presidentes, Cristiano era mencionado por primeiros-ministros, Cristiano era valorizado na Assembleia da República... Cristiano era Portugal. Ou seja: Portugal no seu melhor.
Eu, que nunca concordei com isto, percebo Ronaldo. E tenho praticamente a certeza de que Cristiano Ronaldo, que não estará, decerto, entre os dez maiores jogadores da história (mas vinculará entre os quatro ou cinco maiores goleadores da história do futebol), sairá por cima desta discussão. Até porque quem geriu uma carreira como ele o fez, só pode sair, mais uma vez, com o país a estender-lhe o tapete vermelho. Quase que aposto que António José Seguro terá uma palavra a dizer. Afinal, é Portugal que está em jogo.
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