Avançar para o conteúdo principal

O vilão de um lado e os puros do outro

 Têm-nos vendido a ideia de que Putin e a Rússia são o diabo e os outros - nós e a adotada Ucrânia - são os paladinos da verdade e da justiça. Os maus querem pôr-nos à prova; os bons defendem-se do ataques híbridos daqueles.

Podemos, claro, olhar desta maneira para a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Se não tivermos capacidade de analisar criticamente os acontecimentos pretéritos e presentes, agarramo-nos devotamente á narrativa que os nossos lideres europeus propagandeiam. E é este viver acriticamente que não nos permite, por exemplo, analisar as ações da Ucrânia relativamente à chamada e acusatória guerra híbrida. Alguns exemplos: Nord Stream, atentados à bomba (carros, cafés...), desinformação, interferência externa...

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Major-General Saramago

 Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.

Os belicistas loucos

  Anoto uma frase do ministro da defesa belga, Theo Francken : "Se Putin atacar Bruxelas , Moscovo será dizimada do mapa". Penso que ninguém lhe perguntou: por que razão a Rússia atacaria Bruxelas? Não lhe perguntaram, porque não interessa perguntar. O que interessa, no contexto em que vivemos, é alimentar uma teoria conspirativa que tem a guerra como farol incandescente que é suposto iluminar os ínvios caminhos destes líderes. Eu pensava que só as grandes potências militares se davam ao luxo de elaborar conjeturas deste teor (a doutrina militar, nestes países, não difere muito). Pelos vistos, enganei-me. O senhor ministro das guerras belga quer ser também o ministro da tontearia da União Europeia . Candidatos há muitos: ponha-se na fila, se faz favor.

Burkas

  Há argumentos válidos para ambos os lados. No entanto, uma coisa me parece oportuno salientar: o PSD aceitou um pacto que, decerto, irá ter consequências para o país e também para o partido. E não será por causa da defesa destas questiúnculas que o Chega ganhará eleições.