Nunca percebi a narrativa de que os portugueses não querem crises políticas, mas estabilidade. Não querem eleições. A democracia vive, essencialmente, de eleições, sejam elas ordinárias ou extraordinárias, motivadas, por demissões impostas ou exonerações. Noutros países, bem mais desenvolvidos do que nós (se tivermos em conta a qualidade de vida), as eleições não são assim encaradas. Provavelmente, a culpa deste tipo de consistência e consciência políticas é ainda do Estado Novo, mas penso que está na hora dos nossos operadores políticos serem mais assertivos, senão o resultado é o que se vê.
Não é o único, mas um dos mais recentes comentadores militares a abordar as guerras, de seu nome Jorge Saramago (mais um Major-General), não foge a uma narrativa que, após três anos e meio do início da guerra Ucrânia-Rússia , já não fica nada bem a militares continuarem a defender. O major general Saramago entrou na vida do comentariado na expetativa, a tatear, provavelmente, uma posição vantajosa, que não causasse muitos atritos. Mas depressa tomou posição: o homem é mais um que debita barbaridades: a Rússia avança muito pouco, a Rússia tem um nível de mortos elevado, a Rússia é o diabo... Estou em crer que seria altura de uma maior razoabilidade destas pessoas, principalmente aqueles que ostentam qualificativos militares.
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