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Os portugueses conhecem-me

Pois é: já só faltava, nestas tristezas presidenciais, o slogan "Os portugueses conhecem-me". O génio, desta vez, foi o previsível António José Seguro , o futuro Presidente da República. Tudo como dantes, no quartel general de Abrantes . Do mal o menos.
Mensagens recentes

Segurança e superpotências

Gostaria de saber a opinião do sr. Zelensky a respeito dos pressupostos securitários invocados pelos Estados Unidos para a anexação da Gronelândia. E, já agora, a coerência por parte dos extraordinários líderes europeus é intermitente: o grito de alerta sobre o imperialismo russo,  que se estenderá até Lisboa, mais razoável se torna para a Gronelândia. Trump tem razão: só os EUA tem capacidade de evitar esse pesadelo. Afinal, vêm aí os russos?!...

Corina Machado e o Nobel

Gostaria de saber qual a opinião do Comité Nobel relativamente à entrega do prémio, por parte da vencedora deste ano, a Donald Trump.

Greenland: a anexação

 A aparentemente inevitável anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos da América fará com que a intervenção militar na Venezuela seja uma nota de rodapé histórica. A ampliação geográfica dos EUA, até às portas da Europa , da Rússia , fará de Trump um presidente que será escrito, nos anais históricos, em letras garrafais. É loucura? Audácia? Irresponsabilidade? Impunidade? Ignorância? Tudo isto misturado com alguma estratégia racional? Possivelmente, um pouco de tudo. Afinal de contas, o século XXI , com toda a sua pujança tecnológica cognitiva, não será muito diferente do século XX . O Homem continua o mesmo.

Minnesota: a América

 Vi imagens em que uma mulher, dentro do carro, é brutalmente assassinada por um indivíduo que é um agente da polícia de imigração. Segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance , esta força policial estará legalmente coberta de qualquer ato praticado através das suas atividades de vigilância aos imigrantes. Passou-se no estado do Minnesota , da região centro-oeste dos Estados Unidos da América. A autocracia , nos EUA aparenta ser já uma realidade. A partir de imagens como estas, com assassinatos impunes sob o aval protetor da presidência do país, a Europa deveria, ela própria, tomar uma posição firme e afastar-se desta gente. 

Os países são todos iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros - a boa e a má vizinhança

Trump desenvolveu, realisticamente, a magna razão que norteia três países do planeta, isto é, os três países que, sendo os países todos iguais, segundo o estafado e estagnado direito internacional, há uns que são mais iguais do que outros. Qual foi, então, a proclamação de Donald Trump? Foi a seguinte: não queremos a Rússia nem a China como vizinhos. Tudo isto, claro, a servir de pretexto para os EUA se apoderarem da Gronelândia, a bem ou a mal. Evidentemente, a bem seria melhor. Ora, uma das razões da invasão da Rússia à Ucrânia foi precisamente a mesma: não queremos a NATO como vizinha. Começamos, então, a compreender melhor este mundo? Os países são todos iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros. A diplomacia é, de facto, o caminho.

Presidenciais: o derradeiro debate

  Vi ontem, na RTP , o último debate destas eleições para Presidente da República . Estou em crer que não valerá a pena enveredar por uma análise à lupa, através de pseudoparadigmas hermenêuticos ridículos. Deixo isso para os especialistas que abundam nos canais televisivos. No meu entendimento, gostei de três ideias ou exposições proclamadas pelos candidatos mais improváveis: Manuel João Vieira e Humberto Correia . Manuel João Vieira afirmou que o direito à felicidade deveria constar na Constituição . A felicidade é difícil de definir e até penso que a nossa Constituição já consagra uma variante da felicidade, designadamente com a relevância que apresenta sobre os direitos humanos . De qualquer modo, não é uma ideia descabida. Outra ideia que não é descabida por parte deste candidato e que eu defendo há muito tem a ver com a construção de uma cidade aglutinadora no interior do país, aproveitando uma qualquer já existente, alargando-a com valências e oportunidades que impulsionem ...

Gronelândia "under attack"

  Mette Frederiksen , a primeira-ministra dinamarquesa já avisou Donald Trump que é completamente ridículo ameaçar, com a vontade de conquistar a Gronelândia , um aliado histórico. Esta frase é lapidar face às reações ocidentais relativamente ao sequestro do presidente Nicolás Maduro . Não só sequestro, mas também conquista do  território fértil venezuelano . Ou seja: aliados é uma coisa; índios, latinos, iranianos... é outra. Dito de outro modo: uma coisa é uma coisa, outra  coisa é outra coisa. Belíssima palavra, a coisa.

Venezuela "under attack"

 Por mais malabarismos narrativos criativos que se possam elaborar relativamente ao que aconteceu hoje em Caracas , com o rapto de Maduro e a mulher por ordem de Donald Trump , estamos perante uma agressão ilegítima de um país sobre outro, face ao tão proclamado direito internacional . Neste sentido, apraz-me dizer o seguinte: ainda bem que existem a Rússia e a China para colocar a ordem internacional nos eixos, embora estes sejam, a meu ver, os que não deveriam ser: os poderes militares e não a Carta das Nações Unidas .

Meio bijou

 Quando se chega ao ponto de um governo de qualquer país propor um aumento, no subsídio de refeição, de meio papo-seco (10 cêntimos), parece-me que está tudo dito. Será mesmo verdade!?

Os belicistas loucos

  Anoto uma frase do ministro da defesa belga, Theo Francken : "Se Putin atacar Bruxelas , Moscovo será dizimada do mapa". Penso que ninguém lhe perguntou: por que razão a Rússia atacaria Bruxelas? Não lhe perguntaram, porque não interessa perguntar. O que interessa, no contexto em que vivemos, é alimentar uma teoria conspirativa que tem a guerra como farol incandescente que é suposto iluminar os ínvios caminhos destes líderes. Eu pensava que só as grandes potências militares se davam ao luxo de elaborar conjeturas deste teor (a doutrina militar, nestes países, não difere muito). Pelos vistos, enganei-me. O senhor ministro das guerras belga quer ser também o ministro da tontearia da União Europeia . Candidatos há muitos: ponha-se na fila, se faz favor.

Mar das caraíbas "under attack"

 Passa completamente ao lado dos nossos europeizados olhos as mortes que Donald Trump tem ordenado a alguns barcos suspeitos de tráfego de droga. Infelizmente, não são os barcos que morrem, mas sim pessoas que, provavelmente, nada têm a ver com o negócio de drogas. No tempo da Europa civilizada , atos deste tipo eram criticados, advogando que, primeiro, é suposto os suspeitos serem interrogados. Mas vivemos em tempos novos, novos tempos desumanizados. A par desta desumanização , há toda uma hipocrisia que vem ao de cima através dos silêncios e dos discursos redondos que nada, mesmo nada acrescentam, a não ser mortes que facilmente poderiam ser evitadas.

Brand new world

É assim... Num shopping, em Vila Real. Agradeço ao cão e ao dono do cão permitirem-me tirar esta fotografia.

Vergonha alheia

Tenho dito e redito que o futebol em Portugal é um extraordinário espelho do país, quiçá o mais completo material de estudo para entender o que é Portugal sociologicamente. Tenho também repetido que o tratamento que a comunicação social dá a esta atividade ajuda a embrutecer-nos. As eleições do Benfica são um exemplo paradigmático desta minha reflexão. O Benfica bateu um recorde mundial de votantes! (ponto de exclamação). Serviu-nos a comunicação social este dado factual, como se tratasse de um feito civilizacional capaz de roer de inveja os reais madrides da Europa, ou até as alemanhas e suíças, nossas vizinhas. As eleições de um clube de futebol é o assunto mais importante de Portugal. Ser presidente do Benfica é muito mais importante do que ser presidente da República. Sendo assim, o António José Saraiva está perdoado.

Balsemão e os encómios

  Os elogios "post mortem" a Francisco Pinto Balsemão foram, indubitavelmente, justos e, aparentemente, sinceros. Houve, todavia, um elogio que, estou em crer, Pinto Balsemão não gostaria que fosse tão insistentemente elaborado, que é o de que ele nunca se interpunha no trabalho do jornalista. Ora, a questão deve colocar-se: por que razão deveria o "patrão" imiscuir-se, com olhos de censor, no trabalho do jornalista?. Será que o "novo normal" em que vivemos já ultrapassou (espezinhou) esta linha vermelha? Nota: a imagem reproduzida é da autoria do pintor e escultor Botelho (fonte: Wikipédia).

Burkas

  Há argumentos válidos para ambos os lados. No entanto, uma coisa me parece oportuno salientar: o PSD aceitou um pacto que, decerto, irá ter consequências para o país e também para o partido. E não será por causa da defesa destas questiúnculas que o Chega ganhará eleições.

Comentários, comentadores

 O problema deve ser meu, mas confesso que me irrita um bocadinho ver deputados a comentar, "profissionalmente", o roubo sistemático que a sua equipa (leia-se:  Sporting , F. C. Porto ou Benfica ) é alvo por parte das " equipas de arbitragens ". Do mesmo modo, também me irrita um bocadinho ver comentadores jornalistas (ou, simplesmente, comentadores "encartados") a darem "uma perninha" no comentário político, nacional ou internacional. Somos, de facto, um país "sui generis ".

Paz pela força

 Parece que já temos as primeiras consequências de Trump Não ter arrecadado o prémio Nobel da Paz . O diálogo com a Rússia já teve melhores dias. É o que a Europa gosta . E Zelensky também. Esquece-se, todavia, esta gente, de que a Rússia não pode ser tratada com um país qualquer. Façamos o seguinte exercício: substituir a Rússia pelos Estados Unidos . Inconcebível, não??

Eduardo Sá

  O pedopsiquiatra Eduardo Sá foi sempre uma figura respeitada nos assuntos que dizem respeito à sua área de interesse profissional. Por causa de um acidente doméstico, desloca-se numa cadeira de rodas. Tem dado entrevistas públicas sobre o assunto. E essas entrevistas devem-nos despertar para a incúria com que o estado português trata as pessoas com mobilidade reduzida . Como cidadão, só lhe posso agradecer a coragem a a competência. Infelizmente, Portugal está a um nível miserável no tratamento que dá a pessoas que necessitam de apoio para as suas deslocações. Seria bom que isso se alterasse. Seria bom, de facto, que copiássemos aqueles países mais civilizados (mais civilizados, sim: como se mede o grau de civilização de um país, se não tivermos em conta a capacidade de resposta aos mais desfavorecidos?).

O discurso vitorioso de Trump

  Trump discursou no parlamento israelita . Anoto uma parte do seu (bom) discurso: somos uma nação poderosa, militarmente poderosa, a mais poderosa do mundo ( Biden já o repetira) e fornecemos boas armas a Israel durante esta guerra (com o Hamas ). Eles (Israel) fizeram um bom uso delas. Trump poderia ter sido  prémio Nobel da Paz ? Claro que sim.

Os nobéis da paz

  Maria Corina Machado foi a escolhida, pelo comité de sábios correspondente, para o prémio Nobel da Paz. Não se consegue entender o prémio. por muitas explicações e simpatias pela personalidade, Corina Machado é uma adversária política do presidente da Venezuela, como já o foram outros antes dela. Ganhar o prémio Nobel da Paz exclusivamente por essa razão, é muito pouco, poucochinho.

Terroristas

  Com grupos terroristas não e negoceia, dizem os hodiernos arautos bélicos , justificando a premissa com a ideia de que aqueles só entendem uma coisa, que é a força, o poder das armas. Pois bem, andamos apelidar, nestes, principalmente, últimos 24 meses o Hamas como um grupo terrorista . Independentemente de o ser ou não (terrorismo é também o que o Estado de Israel faz, ou algumas ações da Ucrânia e da Rússia , por exemplo, e não são "grupos terroristas"), é óbvio que estas frases eloquentes não são verdadeiras. A diplomacia faz-se, também com terroristas. E ainda bem.

Acordo de cesdar-fogo em Gaza

O acordo de cessar-fogo acordado em Gaza entre Israel e o Hamas, sob o patrocínio de Donald Trump, tem um vencedor, que é a diplomacia. A diplomacia ganha guerras. Só é pena que a União Europeia de António Costa e Úrsula von der Leyen e Kallas não entenda essa premissa.

Comentadores

Acabei de ouvir Carlos Magno, no alto da sua verve político-sociológica, afirmar contundentemente que o PCP apoia a guerra da Ucrânia. Onde será que ele ouviu isso? Vivemos assim, nesta era da aldrabice, perdão, das "fake news".

A guerra na Ucrânia: os comentários e os comentadores

 O que leva as televisões a enveredarem por um comentário político "ad nauseaum", a respeito da guerra na Ucrânia ? O que oferecem estas pessoas que diariamente povoam os ecrãs televisivos? Entre a tentativa de mostrar originalidade e erudição, existe um ponto de confluência que é o ridículo. O hipercomentarismo tornou-se banal com o futebol. Este alargou-se desassombrosamente ao comentário político. Alguns comentadores entram numa pretensão ilusória de que do outro lado os ouvem atentamente e que são "fazedores de opinião". Não podiam estar mais errados: as pessoas que os veem procuram mais ou menos o mesmo que os telespectadores que visionam os inflamados debates futebolísticos . Há, nesta onda (moda) televisiva um não sei quê de alguma patologia .

Democracias

O estado de Israel é a única democracia naquelas paragens. Este é um dos argumentos dos defensores deste país face ao genocídio em Gaza. Israel, sendo "no papel" uma democracia, comporta-se como um estado terrorista, matando, indiscriminadamente, palestinos. Os Estados Unidos da América apoiam, indiscriminadamente, o estado judeu. Os Estados Unidos da América são apontados como o paradigma da democracia, principalmente no que aos direitos humanos diz respeito, os quais se encontram vertido na própria declaração de independência, de 1776 . Ora, estas duas proclamadas democracias constituem, neste momento da história contemporânea, uma vergonha da própria democracia. Os E. U. A., ao assumirem a sua concordância incondicional face à atuação genocida de Israel, posiciona-se, naturalmente, do lado oposto - ou, pelo menos, obscuro - da democracia. Nada que nos surpreenda, se tivermos em conta o seu historial. E a culpa não é de Trump , isso é também uma certeza.

O caso Ivo Rosa, Sócrates e Ministério Público

  José Sócrates tem aqui uma oportunidade de se fazer ouvir no tribunal europeu . O que aconteceu, com esta incrível perseguição a Ivo Rosa e – mais preocupante ainda – a publicação nos media dessa mesma perseguição é, a meu ver, um relevante testemunho do claro enviesamento acusatório do Ministério Público . Sócrates tem lutado e lutado contra esta perseguição “ad hominem”. Vale mesmo tudo?

O nosso ministro da defesa

Nuno Melo já nos habituou a opiniões encaixadas perfeitamente naquilo que é a identidade maior dos partidos de extrema direita. Este vínculo identitário passa, natural e sobretudo, por aquilo que se aproxima, em ações mas, sobretudo, em retórica política, de um neofascismo abundantemente alimentado por variadíssimos setores da sociedade. Nuno Melo afirmou que os ocupantes da flotilha que, em protesto contra o que se passa em Gaza, chegaram a águas internacionais, são apoiantes do Hamas. Nuno Melo é o ministro da defesa de Portugal. Nuno Melo tem azar: chegou tarde a lider do CDS-PP: o neofascismo já está, em Portugal, ocupado pelo Chega. Talvez um dia - no dia em que o CDS desapareça - vejamos Nuno Melo alavancado nas rédeas do partido Chega.

Ivo Rosa investigado

 Vamos lá ver se entendi: o juiz Ivo Rosa , que reduziu drasticamente as acusações que pendiam sobre José Sócrates , andou, durantes dois silenciosos anos, a ser investigado pela Polícia Judiciária , a mando do Ministério Público . Tudo partiu de uma insuflada e deleitosa denúncia anónima , que o acusara de ser corrupto. A acusação foi arquivada. Podemos olhar para isto com olhares diferenciados. Por um lado, é o estado de direito a funcionar; por outro lado, é o abuso de poder do Ministério Público, os mesmo que crucificaram o ex-primeiro-ministro. Inclino-me mais para esta segunda hipótese.

António Costa na reforma dourada

  António Costa liderou um excelente governo nos idos de 2015-2019. Foi o governo da geringonça . Deve-se a ele e, sobretudo, ao PCP , a oportunidade que teve. Durante esse quadriénio, o país rejuvenesceu, saiu de uma sombra radicalmente conservadora, a qual foi, de certo modo, premonitória no espalhamento da mensagem milagrosa do Chega . Veio o seu segundo governo, agora com inesperadíssima maioria absoluta. acabou como sabemos, artificialmente. Tão artificialmente, quanto a sua aceitação do cargo de presidente do conselho europeu. No entanto, dei-lhe o benefício da dúvida: como socialista, António Costa não é Van  der Leyen, nem Kallas : vai para Bruxelas para ser pelo menos, tão dinâmico e diplomático quanto o fora na geringonça. Enganei-me redondamente: António Costa foi para Bruxelas gozar uma reforma dourada. É triste, mas é verdade. Pelo menos, parece ser verdade.

O discurso caritativo de Montenegro

  Ouvi o primeiro-ministro de Portugal mostrar disponibilidade para, se a economia o permitir, atribuir aos pensionistas (mais) um bónus lá para o mês de outubro, seguindo, mais ou menos, o que fizera antes das eleições legislativas . Quando muito se fala do esbatimento ideológico dos partidos, temos aqui um lapidar exemplo do que não é um discurso de esquerda . Os pensionistas são pessoas velhas que, durante a sua vida ativa, andaram miseravelmente a contar os escudos e, depois, os euros. Na reforma, continuam à espera do fim do mês. Desgraçadamente, o discurso de campanha de Luís Montenegro direciona-se para que os pensionistas esperem, ansiosamente, o mês de outubro, isto se se portarem bem, ou melhor, se o país estiver em condições para dar essa prenda de Natal. Luís Montenegro deveria ter vergonha.

O longo braço do urso ou a russofobia

A Rússia alarga os seus braços ursos, através de influências e batota informática, para os Estados Unidos, Roménia, Moldávia, para tudo quanto mexe eleitoralmente. Onde há eleições, a Rússia está lá. Pelo menos, é o que se vende por esse mundo fora, por esses canais uníssonos de comunicação social. A União Europeia, pelo contrário, não influencia ou tenta influenciar: simplesmente não aceita resultados eleitorais que não vão ao encontro das suas expetativas. Aconteceu, entre outros exemplos, no referendo escocês e nas eleições presidenciais romenas. E os Estados Unidos? Ah! Esse país, paradigma da democracia, não mexe sequer uma palha no alargamento da sua influência planetária. Limitam-se, respeitosa e democraticamente, a aceitar tudo o que vem "lá de fora". Até estarão a pensar em desmantelar as três ou quatro bases militares que ainda mantêm ativas no exterior.

Vira o disco e toca o mesmo

Olho cada vez mais incrédulo para a figurinha que a maioria dos líderes europeus faz quando Donald Trump abre a boca. Todas as suas palavras, frases, olhares são esmiuçados até à medula para depois e regressar à casa da partida . Haverá mesmo necessidade?

O futebol, o país

Hoje realizou-se um jogo de futebol da primeira liga, em Lisboa, entre o Benfica e o Rio Ave. O Rio Ave é um clube da cidade de Vila do Conde, cuja população vai além dos 80 mil habitantes. São pessoas muito arreigadas e orgulhosas à região e à cidade a que pertencem. Nas bancadas do estádio da luz estavam 50 adeptos do Rio Ave. O jogo ficou empatado. O Benfica, dizem, está a passar uma grande crise, pois já tem dois empates em casa e está a 4 pontos da liderança. Alguém de bom senso acha este cenário normal, condicente com um país civilizado? Alguém me pode dizer qual o país europeu em que isto se passa?

Isaltino, o salvador da pátria

Não deixa de ser interessante seguir o telemático atrito entre Isaltino Morais e André Ventura. Começou com um debate na CNN Portugal através de um apoiante de Ventura, desejoso de mostrar, ao patrão, sangue na guelra. Estou em crer que Isaltino Morais faz bem. É um homem frontal, corajoso e com uma inteligência política acima da média. Ventura não está habituado a este tipo de ataques, que não são mais do que respostas à sua miserável retórica política. Isaltino, neste sentido, pode estar a prestar um grande serviço ao país. Continue, pois. Se votasse em Oeiras, teria o meu voto.

Pedro Duarte, o candidato único

Posso estar a ser injusto com Pedro Duarte, pois só li as "gordas". E estas referem que o candidato à câmara municipal do Porto se sente, em matéria de segurança, mais próximo do Chega e, no que toca ao domínio social, mais próximo do PS. Temos, pois, homem. Não é, de facto, qualquer um que constrói, discursivamente, conveniências deste jaez.

Portugal, portugueses

Há cerca de 20 anos, Santana Lópes levantou-se, em protesto, da cadeira de comentador porque o seu discurso televisivo foi abruptamente interrompido por causa da chegada de José Mourinho ao aeroporto. O canal de televisão (já não me recordo qual foi) entendeu que, assim, se fazia bom jornalismo. Passados estes anos todos, continuamos exatamente na mesma. E esta mentalidade é uma das causas do nosso atraso. Só não vê quem não consegue ver.

Trump no Velho Mundo

  Corre para aí a narrativa de que Donald Trump adora, fica deleitosamente impressionado com a sumptuosidade das majestades britânicas . As narrativas atuais são o que são. Desde que pegue, é o fio condutor de qualquer análise. Há variantes: os reis lançaram o isco, vestidos, fatos, jantares de gala, em suma, uma operação de charme para atordoar e convencer o presidente dos Estados Unidos . Será assim tão óbvio e será Trump tão estúpido? Os castelos europeus têm o que não existe nos Estados Unidos: história. E, com esse facto, nenhum presidente americano pode concorrer. Os americanos não gostam de monarquias : está no ADN do país. Relativamente ao Reino Unido , não fazem mais do que um jogo de hipocrisia, fingindo um respeito maior relativamente aos demais países europeus. E já não é pouco. O Brasil , por exemplo, nem isso faz com Portugal .

Vergonha

Isaac Nader foi campeão mundial na corrida de 1500 metros no campeonato do mundo de atletismo , que decorre em Tóquio . É a primeira vez que Portugal alcança esse feito. Os telejornais abriram todos com a chegada de José Mourinho a Portugal para treinar o Benfica . Por acaso não abriram todos: a RTP iniciou o jornal com essa notícia, acrescentando, de imediato, que seria uma notícia a desenvolver mais tarde, pois José Mourinho no Benfica é notícia primeira. Como queremos ser um país a sério quando se alimenta um povo destes maneira? Tenho defendido que o futebol é o espelho do país: para compreender Portugal e os portugueses nada melhor do que olhar analiticamente para o fenómeno futebolístico português.

Ventura: o erro

 Ainda a respeito do post de ontem, a "fácies" de Ventura diz tudo. Com esta decisão artificial, o homem quer ser o mártir que faz tudo pela nação. Até candidatar-se a presidente de quase todos os portugueses .

O erro de André Ventura

Já comecei a ouvir panegíricos desproporcionados sobre a decisão do líder do Chega se candidatar a presidente da república. Pois bem: estou em crer que André Ventura tomou uma decisão completamente errada. Afinal, o que quer Ventura? Governar o país a partir de Belém? Onde está, afinal, o desregulador do sistema? Estou convencido que eleitorado do Chega queria mesmo dar uma oportunidade ao líder para "pôr o país na ordem". Queria, mas deixará de querer.

Os belicistas

  Qualquer episódio, por mais calendarizado que seja, é motivo para a edificação argumentária de um edifício bélico. As hostes europeias salivam. Querem uma guerra. Tentam, a todo o custo, convencer o presidente dos E. U. A., desejando que, um dia, ele acorde com ideias luminosas parecidas com as que por cá se vão apelando. A Rússia só conhece a força, dizem muitos dos nossos especialistas. Deve ser por isso que cortaram os canais diplomáticos .

Francisco Rodrigues dos Santos

  Enganei-me a respeito deste senhor que encima o post. Talvez porque não simpatize muito com qualificativos prospetivos. Francisco Rodrigues dos Santos foi líder do CDS numa altura difícil da vida do partido. Talvez por essa razão, foi apresentado pela comunicação social como um jovem que vinha com uma espécie de título de brilhantismo apresentado por uma publicação estrangeira de referência. O futuro da direita portuguesa e, quem sabe, europeia passaria, assim, por Francisco Rodrigues dos Santos. Acontece que as vicissitudes da política são mandantes e o Chicão não conseguiu catapultar o partido para o lugar que desejava, ajudando, de certo modo, a escavar a insignificância do partido. O lugar que o CDS ocupa hoje em Portugal é ridícula e os seus lideres conseguem mesmo suplantar a desgraça. O Chicão estudou; o Chicão amadureceu; o Chicão assumiu-se. É, hoje, uma das vozes mais lúcidas da análise política televisiva e não só. Não sei se ele concordará, mas o seu espaço polític...