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Mensagens

O coreógrafo ministro

 Não deixa de ser anedótico ouvir e ver Leitão Amaro  criticar a coreografia dos partidos da oposição a respeito da crise desencadeada por Luís Neves . É que permanece ainda na nossa memória o filme produzido pelo ministro da Presidência, no qual se revela uma personalidade profundamente egocêntrica, plasmado num cómico desenho fílmico.

O vilão de um lado e os puros do outro

 Têm-nos vendido a ideia de que Putin e a Rússia são o diabo e os outros - nós e a adotada Ucrânia - são os paladinos da verdade e da justiça. Os maus querem pôr-nos à prova; os bons defendem-se do ataques híbridos daqueles. Podemos, claro, olhar desta maneira para a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Se não tivermos capacidade de analisar criticamente os acontecimentos pretéritos e presentes, agarramo-nos devotamente á narrativa que os nossos lideres europeus propagandeiam. E é este viver acriticamente que não nos permite, por exemplo, analisar as ações da Ucrânia relativamente à chamada e acusatória guerra híbrida. Alguns exemplos: Nord Stream, atentados à bomba (carros, cafés...), desinformação, interferência externa...

Ucrânia: a guerra e a escalada

 Tem-se falado, com propriedade, do perigo de uma escalada da guerra na Ucrânia. A bem da verdade, essa escalada já começou há muito, com a entrada dos países NATO na contenda bélica. De facto, a Rússia está em guerra com um bloco de países, uns mais ativos, outros menos. Contudo, a recente declaração de Zelensky avisando as companhias aéreas que operam no território da Federação Russa de que o não devem fazer, visto que o espaço aéreo daquele país não será mais seguro, configura uma escalada nunca antes vista. Será que ainda vamos ver um avião civil abatido para depois entrarmos numa rodopio de culpas alheias? As guerras - as alargadas e imensamente destrutivas - são assim que começam.

A moção da República

  De repente, o partido Chega e o seu líder viraram os paladinos da ética política. São oportunos e populistas? Claro. São demagogos e itinerantes, vogando ao sabor do cálculo político? Evidente. Não creio que o Chega se insira, pronto a vestir, naquilo que muitos chamam o internacional populismo. O mesmo se passava com o PCP, que muitos acusavam de enfardar com a linha orientadora do partido comunista soviético. Portugal tem as suas idiossincrasias e uma delas chama-se Estado Novo. E é o Estado Novo (e aqueles que o pretendem renarrar) que ainda reorienta uma percentagem considerável dos portugueses, sejam eles velhos, novos, operários ou académicos. Do mesmo modo, foi a ditadura que emergia o PCP durante as primeiras décadas de democracia. Tudo isto é verdade, como é verdade que o Chega está cheio de razão relativamente ao caso Luís Neves. Podemos afirmar, sem qualquer espécie de exagero, que este é o governo em que o nível da decência política se encontra abaixo de zero. A Spinu...

Justiça célere

 A respeito do atropelamento ocorrido em Albufeira, o arguido foi a tribunal para ser... identificado. Esta identificação, no primeiro dia, demorou mais de quatro horas, marcando o juiz audiência para o dia seguinte. Deve ser por este tipo de tradição (penso que não se justifica de outra forma os atrasos sistemáticos dos juízes) que se argumenta sobre a necessidade de cortar nas garantias que os réus atualmente têm à sua disposição e que os espertalhões dos advogados usam e abusam.

Bessent: o homem e o tolo

  Vi Scott Bessent, o secretário do Tesouro norte-americano, anunciar, à Trump, uma guerra económica devastadora contra a República Islâmica do Irão e a quem mantiver relações económicas com este país. "The man is a compete fool. Is that all is has to give?" Valha-nos os nossos altíssimos especialistas em "tudologia" para  nos elucidar sobre esta ansiosamente esperada conferência de imprensa. 

Os humanoides

  Intrigaram-me as imagens que as televisões passaram (e continuam a passar) das corridas de atletismo numa espécie de campeonato de robôs humanoides. Eles batem os recordes estabelecidos por humanos e também caem quando têm de cair. Mas o mais relevante, para mim, diz respeito à extraordinária e eficiente rapidez com que são assistidos quando se espalham pelo pavimento sintético da pista de atletismo. Têm direito a uma lustrosa maca com quatro humanos a levá-los, céleres, para o tratamento (para os balneários?).  Não seria mis eficiente e lógico metê-los num carrinho de mão? Estou certo que isso chocaria muitos humanoides.

Tudo como dantes...

 ... no quartel-geral de Abrantes. Antigamente, quando via novelas, podia estar 2 ou 3 semanas sem ligar patavina ao enredo que, no retomar do interregno, parecia que nada se perdera. Pois a vida por cá e por lá é muito parecida: Trump continua no seu baloiço discursivo, a União Europeia meteu férias (fez bem) e por cá o quartel-geral de Abrantes está de pedra e cal: os ministros Alexandre e Neves andaram por aí a passar pelos pingos da chuva e este último foi agora ressuscitado pelos nossos incansáveis comentadores. Estes são do melhor que nós temos: o que seria do país sem eles? Ando metafisicamente a tentar discernir se esta gente do comentário se leva mesmo a sério.

A ponte 25 de Abril, outrora Salazar, parvonia ou "silly season"

A ponte 25 de Abril comemora 60 anos. A RTP decidiu fazer uma emissão especial, tendo mesmo o Telejornal tido a honra de ter uma emissão em direto. Estou em cre que há, neste país, pontes bem mais interessantes do que a ponte 25 de abril,que é atravessada, diariamente, por 300 mil pessoas, estatística que não deixa de constituir um paupérrimo retrato do país.

O segredo das conversas ou conversas secretas

  Estamos habituados a ouvir os dois principais responsáveis políticos do país escudarem-se no miraculoso argumento de o primeiro-ministro sabe o que eu penso. O contrário é também válido. Acontece que esta estratégia tem mais a ver com cobardia política do que dever institucional. Os portugueses devem saber o que pensa o presidente da República sobre, por exemplo, os anedóticos casos que assolam os ministérios da administração interna e da educação, assim como o extraordinário arrombamento do gabinete do Chega . A República (é isso que interessa) merece essa abertura. Estou em crer (já o escrevi) que António José Seguro espelha bem o que não deve ser um Presidente da República: vazio, autoelogioso e autoproclamadamente vigilante, segredista. Luís Montenegro , o primeiro-ministro mais chico-esperto que tivemos até hoje, agradece.

Opostos

 Não deixa de ser interessante verificar, a respeito do problema sobre imigração na União Europeia (ou Europa), que a posição dos partidos à esquerda vá ao encontro, quase radicalmente, do posicionamento do Vaticano, seja com a égide do papa Francisco, seja com a direção do papa Leão XIV. Pelo contrário, as linhas críticas dos partidos quase teológicos (o Chega é um bom exemplo) encontram-se nos antípodas da doutrina social da igreja. Basta contrabalançar as declarações do PCP, a respeito deste tema e das duas guerras mediáticas (Ucrânia e Médio Oriente) com o posicionamento doutrinário destes dois papas, lideres da igreja católica. Se eu estivesse do lado dos Deus, Pátria e Família ficaria muito confuso.

Partidos de protesto

 Sempre achei que os chamados partidos extremistas, sejam eles de esquerda ou de direita, são também úteis para o bom funcionamento da República. Por vezes, nos partidos que, tradicionalmente, se revezam no poder existe um certo amorfismo tático que não é saudável. Neste sentido, faz bem o Chega não deixar cair o caso Luís Neves. Esta postura do Chega explica, em certa medida, o esvaziamento do PCP.

Agosto, dia 1

  Na minha terra dizia-se, por esta altura, que "vêm aí os 'aveques'". E vinham. Aos milhares, cruzavam a fronteira. Eram os emigrantes. São, ainda os emigrantes que, atualmente, desaguam, muitos ainda com a alma derretida pelo pisar no torrão pátrio, após meses de trabalho. Estes dias de agosto, mereceriam, por parte de alguns trogloditas da nossa praça, momentos de alguma reflexão humanitária, quando se insurgem contra os seres humanos que vêm de outras terras à procura, no nosso irrepreensível país, de horizontes mais felizes para as suas vidas.

Gabinete do Chega vandalizado

  Será mesmo possível? Nada melhor que uma notícia destas para morrer na praia.

O PSD e o vazio

  A política perde quando os seus principais intervenientes navegam em casos dúbios como o que se passa com Luís Neves . No entanto, perde ainda mais quando, no partido que suporta o governo, não se ver ninguém com um discurso que esteja no lugar certo. E o lugar certo, neste caso em particular, é só um: não é tolerável a arrogância do ministro da Administração Interna quando afirma que só dará explicações quando ele bem entender. Esta arrogância é acompanhada, sem surpresa, pelo primeiro-ministro . Acontece que o PSD não se pode comportar, do ponto de vista ético, como o Chega . Infelizmente, com a retórica vazia  dos diversos dirigentes do partido, na tentativa de arranjarem uma explicação plausível para este imbróglio , o que se verifica é que este PSD, reformulado por Passos Coelho , é, na verdade, outro partido.

Os 10 cêntimos do "Volta"

  " Volta "  é o programa que alguém se lembrou para fomentar a necessidade de separação de alguns produtos que poderão ser reciclados como, por exemplo, garrafas de plástico ou de vidro. Para isso, foram criadas (encomendadas) máquinas receptoras desses produtos , criativamente designadas por " Pontos e Quiosques Volta ". Assim, por cada garrafa de plástico depositada nessas máquinas, estas cospem uma moeda de dez cêntimos. Sempre estranhei a necessidade deste sistema. Qual o preço de cada máquina? Havia um problema de reciclagem em Portugal ? Precisavam as pessoas deste incentivo para separar o lixo? As respostas a estas perguntas são: muito dinheiro; não e não. Estou em crer que, com a incessante busca e lixo remexido que já se verifica em algumas zonas citadinas, na ânsia, por parte de algumas pessoas, de encontrar vários plastificados dez cêntimos, estas maquinetas terão uma esperança de vida muito curta.

Sanae Takaichi

Sanae Takaichi , primeira-ministra do Japão , dorme, por norma, segundo o jornal Expresso , entre zero a três horas por noite. Durante os seus logos dias, lê as papeladas a que o seu cargo obriga, passa a ferro, cose saias desfiadas e reforça os botões soltos dos casaco. Será que estaremos perante o embuste do século? Não será ela fruto de uma conjuração operada pela inteligência artificial , criando um humanoide para tomar conta disto tudo? Donald Trump gosta muito dela.

Luís, o abdicador

  Luís Montenegro continua  a mostrar as suas habilidades chico-espertas , agora com o anúncio, devidamente propagandeado pelas televisões, de que abdicará das férias de verão para, no mês de agosto, coordenar estoicamente o destino da pátria amada. Da minha parte, preferia ver o primeiro-ministro gozar convenientemente o descanso habitual de verão e não ver o primeiro-ministro de Portugal com manobras habilidosas para encher o povo que ele quer alimentar com este tipo de repercussões absolutamente inócuas.

Os dois ministros

  Fernando Alexandre , ministro da Educação e Luís Faria , ministro da Administração Interna têm andado debaixo de fogo por motivos, apesar de tudo, diferenciados. Enquanto o que está em causa em Fernando Alexandre tem a ver com a sua visível incompetência para o cargo que ocupa, já Luís Neves revela uma caraterística muito portuguesa que é a do chico-espertismo, na qual o  primeiro-ministro é, como vimos no seu imbróglio Spiniviva, alguém com qualidades acima da média. Há, porém, há uma confluência de análise que os une e que diz respeito a decisões que tomaram e que os fizeram emergir numa espiral diferenciadora e positiva. Luís Neves , enquanto diretor da Polícia Judiciária , salientou-se, sobretudo, contra o posicionamentos miserável e populista do partido Chega relativamente à associação do hipotético aumento da criminalidade com os imigrantes . Já Fernando Alexandre teve o seu momento de glória aquando do desbloqueamento do congelamento da carreira dos professores , ...